sexta-feira, 31 de julho de 2009

Sem medo de tropeçar

Tropeços não são tão graves, afinal.
São próprios dos que põem os pés na estrada,
dos que se arriscam, dos que dançam ,
dos que correm, dos que se lançam, dos que
nao têm medo de errar,
dos que têm pressa,

Pressa de viver,
Pressa de ser feliz,
Pressa de chegar a todos
os lugares ao mesmo tempo.

Tropeçar, a meu ver, é até um gesto que
merece aplausos, aplausos e coro:

_ levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.


P.S.
se ficar machucado, passa-se mertiolate, dá-se uns beijinhos, assopra e lembra que até casar, PASSA!


*

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Reminiscências

Hoje faz um dia frio.
Do nada, ou talvez pela nostalgia que os dias frios evidenciam, quando vi, lá estava eu mexendo na minha caixa de recordações. E, para meu desassossego, o que tomo nas mãos, por primeiro de tudo, é um curto bilhetinho que amei tanto receber, mas de alguém que não posso pensar. Que coisa! - pensei, tantas coisas nessa caixa, precisava ser justo esse o encanto reencontrado? Dele?...
Nem olhei mais nada, fiquei com o pequeno bilhete em minhas mãos, parada, lembrando emoções tão caras e tão distantes, emoções que nunca me serão roubadas da memória, nem mesmo pelo autor das palavras. Dizia assim:

" Minha garota da praia,
que adora olhar o céu em busca de
pipas coloridas (...)
Ela tem uma coleção de estrelas,
ela é real e surreal ao mesmo tempo."

SURREAL

*

terça-feira, 28 de julho de 2009

É tão óbvio ...

Ele perguntou à ela por que Paris a impressionava tanto.
Ela poderia responder de tantas formas...

Pensou em falar do Sena, refletindo a luz dos dias e das noites da cidade.
Poderia falar da arquitetura única, charmosa, que faz de cada ruela de Paris um lugar especial, acolhedor.
Poderia dizer que trata-se da Cidade Luz, tanto por suas mil luzes encantadas, como por conta de sua intensa movimentação artística.
Poderia falar de como a Arte transita livremente por todos os lados, natural como as flores da cidade.
Ou falaria dos cafés, dos monumentos, da grandiosidade de cada metro quadrado de lá, onde grandes figuras como Monet, ou Jean Paul Sartre como Simone de Beauvoir por ali estiveram, criando, amando e vivendo suas histórias.
Poderia lembrar à ele que cada pedra da cidade pode ter emocionado artistas tão diversos como Brunel, Da Vinci, Picasso, Hemingway, Oscar Wilde. Todos amantes e amados de Paris. Mas isso tudo é tão óbvio...
Ela precisaria falar sobre a poesia que a cidade inspira nas almas de quem se deixa seduzir pela magia da cidade. Teria que falar de permissão. Sim, permissão. Permitir-se adorar, se encantar, se apaixonar. Paris é para os loucos, os sonhadores, os poetas, os artistas, os visionários, os encantados, os alterados pela emoção. Pelos que se permitem à isso. E permitem-se os prezeres simples, como saborear uma Tarte Tatin lentamente em algum café tranquilo, assistindo uma gente leve e despretensiosamente elegante movimentar-se, como se em algum palco estivessem, protagonistas da vida, são todos em Paris.
Por que?
Porque o Amor é alegórico em Paris. Exibido, generoso, farto, permitido. O romance está por todo ar. Respira-se sedução, charme, há um convite permanente à vida, e sendo a vida, um caminho sempre rumo à paixão.
Ela poderia falar tantas outras coisas mais que a fazem pensar em Paris como o cenário perfeito para seus planos, seus sonhos, seus segredos, mas decidiu não responder nada. Pensou:

_ Se ele precisa fazer essa pergunta, é porque não entenderia a resposta.
Assim como ele nunca soube entendê-la, nem ao amor, nem à ele mesmo talvez. Certas coisas não se compreendem sem um longo e atento olhar. Certas coisas exigem paixão para serem compreendidas.
















PARIS EST LA VILLE DE L'AMOUR





*

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Faz frio nessa noite

A noite
está especialmente fria hoje.
Quase não há ninguém nas ruas.

Os carros,
parados são até bonitos assim,
cobertos pelo frio.
É aconchegante olhar pela janela e ver
a luz das outras janelas revelando pequenos
ninhos. Somos seres passarinhos.

A noite
está especialmente fria hoje,
e isso faz-me lembrar de,
além de agasalhar meu corpo,
agasalhar também minha alma
contra o frio congelante que se avizinha.
E é o que eu faço,
arrumo meu ninho bem gostoso e,
nele repouso.

Longe do frio das ruas.
Longe do frio de alguém.

E em PAZ.
*

sábado, 25 de julho de 2009

_ Lembra-se
da cena
que te falei?

Então.

Era de algo
assim que
eu falava.

Bonito, não?
Pode-se ver o Amor dançando com eles.

*

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Também quero viajar nesse balão

"Quando ela vem, Senhores, ela arrasta atrás de si os aromas de todas as Primaveras mesclado ao cheiro de chuva quando cai em terra seca.
Ela sempre surge por detrás dele como quem quer surpreender com o já esperado, e quando, como pétalas ela o toca nos olhos, ele a reconhece.
Quando ela vem, o coração dele se enche de alegria e cai por terra como se perdesse todas as forças - e vontade de resistência.
Ele a ama sem pausas, sem pudores, sem reservas. E ela é ela, e isso basta para ele. Como som de música é a presença de um para o outro. Como se dançassem no topo do mundo, os dois se abraçam e lançam pedidos ao vento, pedem a quem possa, fazer com que esse momento não se acabe. NUNCA MAIS.
Todas as noites eles se encontram em sonhos.
Todas as noites eles se apaixonam um pouco mais."



P.S.
Obrigada Cris Linda, por me enviar esse texto lindo. Sei que você sabe que ele significa muito pra mim. Beijo.



(...)

terça-feira, 21 de julho de 2009

Finalmente, a NOITE!

Gosto quando chega
a noite.

A noite me abraça,
e seu abraço
é quente.


A noite fala baixo
e eu acredito:
_ aGUARDO em mim.

À noite sou mais feliz.

*

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Uma foto perfeita

Foi-lhes concedido uma tarde.
Uma tarde toda para fotografar a vida.
Bo gostava de formas.
Binha de cores.
Bo gostava de grandes tomadas.
Binha dos pequenos detalhes.
Bo gostava do inusitado. Binha do óbvio.
Bo gostava de estudar a cena. Binha não pensava.

E vice-versa,
alternadamente.

Complementares que eram,
fizeram lindas fotos juntos.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O VÔO AZUL

Liela sempre gostou de estrelas.
Do céu, do sol, da lua.
Gosta especialmente de olhar pipas voando
num céu azul. Bem azul.
Ama passarinhos, que em seu quintal são muitos.
Hoje mesmo apareceu uma família nova de pássaros azuis do peito amarelo, coisa linda, instalaram-se no pé de laranja. Que aliás, está carregadinho.
Borboletas, pirilampos, vagalumes, tudo o que voa, a encanta. Deve ser por causa da sensação de liberdade que causa o vôo.
De uns tempos para cá, Liela deu de gostar de aviões. Muito. Não os de linha comercial, grandes e tal, mas os pequenos, antiguinhos, que voam baixo e bonito.
Tudo aconteceu na praia:
Liela saiu para fazer uma caminhada, coisa que adora fazer na praia, quando do nada surgiu um avião pequeno e azul. Voava bem baixo, e voou assim baixo, acompanhando-a tanto na ida, quanto na volta. A praia estava vazia, e o dia era azul. Quando, ao fim da caminhada, mergulhou no mar para refrescar-se, ele foi-se embora.
_ estranho! Pensou.
Naquela noite, enquanto se balançava pra lá e pra cá na rede, e olhava alternadamente para o mar e para o céu, do nada, o avião azul apareceu de novo. Voou muito baixo, bem perto da varanda, e então começou a voar alto, muito alto, até ficar na mesma linha da estrela preferida de Liela, e... parou. É, parou. Ficou ali parado, na mesma linha da estrela, por um longo tempo. Ela olhou, achou estar delirando, olhou de novo, agitou-se. Mas ele estava lá, suspenso no ar ao lado da sua estrela. Como coisas estranhas nunca foram exatamente novidade para ela, em certa altura ela relaxou e pôs-se apenas a olhar. Sabia que aquilo era com ela, e se seus sentidos não captavam o significado, o melhor era apreciar. Ela suspirou, e sorriu. Então, nessa hora o barulho do motor do pequeno teco-teco voltou a ecoar, e o avião voou para longe. Era meia noite. Nessa noite, teve um sonho bom. Voava alto, dançava e sorria ao lado de alguém que nunca vira, mas que apreciava demais a companhia. Não podia ver seu rosto, mas sabia que era bonito. E cheiroso. Cheirava a chocolate, tinha cabelos bonitos e escuros, e quando ria, balançava o corpo de uma forma sedutora. Ao acordar, no dia seguinte, sentiu-se estranhamente feliz. E muito.

Foi assim que os aviões tornaram-se uma paixão para Liela. E também porque, todos os dias, em alguma hora do dia, algum aviãozinho antigo voa bem baixo sobre seu local de trabalho. E a noite, sempre às vésperas da meia noite, um avião azul dá duas voltas em torno de sua casa. Ela corre até a janela, e sorri. Ela sabe que é para ela aquele vôo. Então, o sono chega incontrolável, e ela dorme rapidamente. Mergulha num sonho azul, cheio de possibilidades.
_ não, ela nunca contou isso à ninguem. Quem iria acreditar?
_ só euzinha, mesmo!

*
p.s.
o nome dela é Liela mesmo. O mesmo nome da prima preferida de Jonh Lennon.
*

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Do Querer


Quero SONHAR com casas
que constantemente amanhecem,

Quero ESPERANÇAS que
amanheçam comigo,

Quero PAZ no submundo
das minhas emoções,

Quero a BELEZA insondável
do verbo entender,

Quero a ALTIVEZ das estrelas
que se despem diantes de outras
estrelas,

Quero um NORTE
e um sul
e um leste
e um oeste,

Quero uma DIREÇÃO
e uma casa com varanda
bem perto do mar.

.
.
.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Julho, Agosto, Setembro...


Da janela da minha casa,
a janela lá detrás, eu vejo as folhas e flores
da minha árvore caindo.
É bonito de ver.
É uma cena de inverno.
Atravesso um inverno interno também,
sinto minhas flores e folhas caindo.

Eu olho para a minha árvore,
e ela me olha também:
_ Será que ela vê beleza?
_ Será que ela pensa que estou numa cena de inverno, assim como eu penso dela?

Somos frágeis, nós, as criaturas da criação. O reconhecimento da fragilidade requer força. Li esse paradoxo e achei apropriado.
Uma nova rajada de vento passa e , mais pedaços da minha árvore caem no chão. Ela parece acanhada assim, se desnudando. Tanto quanto eu.
Lembro-me, então, dos dias de sol, da Primavera que não tarda chegar, e quase posso vê-la em seu esplendor de novo. Frondosa, imensa, toda verde e cheia e florida e alegre e vibrante.
Minha árvore querida.
Será que me olhando aqui, na minha janela, ela pensa o mesmo de mim? Será que ela pensa que não tarda chegar a Primavera até o meu ser?
Será que ela me vê formosa, intensa, toda colorida pelo sol, e cheia de sorrisos e alegre e vibrante na Primavera que não a de tardar?

_ Não sei!
Faz-se hora de silêncios e contemplação, eu a olhar a minha árvore,
e ela à olhar pra mim.
Ficamos as duas assim,
a olhar, esperando a Primavera que a de chegar.

*

"NO EXTREMO DA DOR É POSSÍVEL ENXERGAR O PLANTIO DE ALEGRIAS FUTURAS"

*

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Viajando na Viagem

Interessante como algumas coisas chegam até nós na hora certa. Chegam para nos fazer sorrir, chegam para nos fazer lembrar, chegam para nos trazer entusiasmo.
Entusiasmo quer dizer "Deus dentro de você". Quanto mais entusiasmo mais Deus em você? Suponho que oque nos entusiasma seja composto de milhares de partículas divinas, então, creio que não seria exagero dizer que nossos sonhos e aspirações estão repletos de Deus. Eu li em algum lugar:
_ O meu Deus me acolhe, Ele chega até mim com ternura.
Sonhos são ternos. E doces. Preciso de um Deus terno e doce.
Enquanto escrevo essas palavrinhas, toca na rádio uma música que fez parte de uma história. Fala da viagem, da "viagem de viajar na viagem".
Coincidências (...)
Coincidências que se misturam. Labirintos rumo à terra prometida. Estão confusas essas palavras, eu sei, mas grandes emoções são meio assim, não? Indecifráveis.
Ganhei de presente esse desenho lindo que ilustra esse post. De certa forma é como se eu pudesse me ver dentro dele. Símbolos que me são caros, de um Amor que não acaba, ou que talvez ainda não tenha sido composto. Projeções. Universo paralelo. O Céu. Um paraíso perdido. O dia de amanhã. O recheio do coração...
Olho a pipa colorida que voa no desenho e concluo que não vou amadurecer nunca. Talvez isso seja até bom. Jesus disse certa vez: _ Vinde à Mim as crianças. Ando cansada do mundo adulto, dos milhares de "afazeres a fazer", da postura "Low" que todo mundo deu de ostentar, o tedioso ar "blasé" dos moradores do Olimpo, dos assuntos, dos requintes, do que é certo, do que é errado, dos julgamentos. Ando gostando mesmo das caipirices, do que não é esteticamente aprovado, ando até gostando de novela _Hare Baba, pecado mortal!
Estou com vontade de ir para a chácara, de comer pinhão em volta do fogão de lenha, e ficar ali, só com os mais chegados falando qualquer coisa que não esteja na moda, que não esteja no topo, que não seja "cult", qualquer assunto d e s p r e t e n s i o s o.
Gosto de conversar com o meu Tio Franciso, ele veio me visitar na loja hoje. Ele ri alto, gesticula o tempo todo, arregala os olhos quando fala, cheio de vida que é, ficou me contando das saladas novas que ele deu de inventar, contou que foi no jogo do Atlético domingo, e que depois foi lanchar no Karina, uma casa de lanches aqui da cidade, que todo mundo vai. Vai assim, "diboas", sem precisar se arrumar, zero de frescura. Lá, todo mundo fala alto, se mistura nos estilos, dá risada alto, come até se fartar, curte o estar vivo ao lado dos amigos. Simples assim. Combinamos de ir lá juntos . Hoje vou ao médico. Homeopata. Uma graça ele, curto ir lá para conversar.Vou levar a foto desse desenho lindo do post junto comigo à consulta e dizer:
_ Doutor, quero uma gotinhas que me levem para dentro dessa cena.
Como eu acho que ele deve ser de outro planeta, estou com esperança. E no mais, sigo assim, viajando na viagem. (de fugir com você) .

......................................................................

Re, você é uma amiga muito querida,
muito grata por esse desenho lindo.


SE OS SORRISOS SE PERDEM,
O MUNDO SE APEQUENA.

(Gabriel Chalita)