sábado, 27 de junho de 2009

Tristeza não é ausência de felicidade.

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folhas secas?
_ ficam bonitas em pacotes
de presente.

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quarta-feira, 24 de junho de 2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

Um gole de nada

Conjecturas sobre a palavra NADA:

Nada sugere ausência.
Ausência sugere falta
Falta sugere vazio.
Vazio é o tudo cheio de nada.

Nada, no dicionário, tem como designação, pronome indefinido, que indica coisa nenhuma, de modo nenhum, sendo ainda citada como a não existência, ou ainda, com a lastimável palavra ninharia. O Nada pode ser relativo, senão vejamos. Quando alguém pergunta:

_ O que você tem?, e você responde,
_ Nada!

esse Nada pode indicar algo como um tédio, alguma irritação, cansaço, saco cheio. É um nada pacífico até, ele vem e passa, seria o Nada-Passageiro. Tem também aquele Nada que a gente diz quando algúem pergunta:

_ O que você tá afim de fazer?
_ Nada!

É um Nada de boa classificação também, porque sugere que você quer ficar morgandinho em casa, bem à vontade, tranquilo e sossegado. Seria o Nada-Ócio. Pode ser bastante benéfico, inclusive. Tem também o Nada que namorado diz para a namorada, ou vice versa, quando um está meio calado:

_ O que você está pensando, Amor?
_ Nada!

Aí, depende da relação. Se os pombinhos estiverem vivendo uma amor bem gostosinho, é um Nada de "ah, amor! até ficar quietinho com você é gostoso", seria o delicioso Nada-Conforto.
Agora, se a relação vai de mal a pior, pode ser um Nada tipo "o que é que eu estou fazendo aqui?", é o Nada-covarde, que não decide e não sai de cena. Um clássico.
Há na sequência, categorias de Nada de banda ruim. São os Nada-Lascado. Trata-se daquele sentimento que certas ocasiões ou pessoas nos causam. Você já saiu de cena assim?

_ Putz, depois disso tô me sentindo um NADA!

Pois é, tem gente que tem o dom para isso, o dom e nenhuma sutileza para te lembrar de sua insignificância, o fazem descaradamente e sem culpa nenhuma. Têm muitos graus de Nada-Lasqueira, desde aquele provocado por alguém que te ignora, lembrando a sua invisibilidade, como aquele provocado por aquelas pessoas tidas como superiores, que só porque o seu próximo não é tão lindo, tão culto, tão especial, tão próspero, tão raro, tão "Óh, Meu Deus", pisam nas pessoas para deixarem claro o Nada que é, quem não é tudo isso. É um gosto amargo oque essa gente consegue provocar no Nada, embora o Nada caiba mesmo aos soberbos , nesse caso. O Nada-Tudo. Existem os causadores de Nada sutis, aqueles que fazem quase sem querer, deixam apenas escapar o Nada que você significa. São aqueles que acham que só porque você é um Nada, você é burro também, incapaz de ler entrelinhas. O Nada-Burro.
Tem ainda, e como não poderia deixar de ter, o Nada-Claro, O Específico:

_ Sabe o que você significa para mim?
_ Nada!

Não há como não o reconhecer, é um Nada gigantesco, que o portador carrega, arrasta, e que fica encalacrado nos poros, para qualquer um que olhe, reconhecer:
_ Lá vai um Nada-Coisa-Nenhuma.

Por fim, não poderia deixar de citar o Nada-MeaCulpa. Um Nada que você atravessa deixando pelo mundo, um rastro de Nadas interiores, um Nada de gente que só sabe culpar os outros por tudo: o Nada-Tadinha-de-mim, minha especialidade. Falta tudo nesse categoria: bom senso, segurança, maturidade, humildade, aceitação. Falta senso de realidade, senso para saber se colocar no devido lugar, sobram apenas Nadas e falta apenas tudo.

Com isso, e no meio de todos esses Nadas, junto-os ao Nada que restou em mim, e vou ver se vou atrás de um bom livro, para ver se curo um pouco que seja, todo esse Nada que sou, todo esse Nada que há em mim. Meu nada, meu Tudo.


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domingo, 21 de junho de 2009

O balão tá sumindo e a quadrilha tá boa...

Era a festa que ele mais gostava: a festança de São João. Com isso, era a festa que ela mais gostava também, visto que tudo que ele gostava, lhe apetecia também. Sendo mês de Junho, fez-se a festa por todos os lados, e numa dessas festas ela o vira. Ele não era dado a vestir-se com os costumes da festa, mas portava um chapéu estranho, como de um cangaceiro, o que pareceu estranho à ela, que nunca o tinha visto portando de igual forma, tantos sorrisos. Estava mais solto, sacudia-se descontraidamente ao sabor das músicas, com balas de gengibre nas mãos. Notou que o olhar dele procurava algo, ou alguém, e ele que nunca fora de sorrir muito, agora sorria imensamente ao perceber a chegada de algo, ou de alguém... e antes que ela pudesse comprovar o que seu coração intuía, agarrou-se à calda de um balão que subia, e subiu. E entre pipas, e balões e fogos de cores tantas, sumiu.
Ele não viu nada disso, estava distraído entre sorrisos, enquanto cantarolava a cantiga:

Cai cai balão
Cai cai balão
Cai aqui na minha mão

Não cai não
Não cai não
Não cai não
Eu não te quero mais, nao!


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sábado, 20 de junho de 2009

O Amigo Livro da Hora

Estou lendo "A Arte de Virar a Página", um livro delicadamente escrito por Adriana Falcão, com imagens de Leonardo Miranda, multifacetado artista que tenho a alegria de desfrutar como amigo. O livro é um bálsamo para as feridinhas da alma. Quem não tiver pelo menos uma, que atire a primeira pedra. Com palavras e imagens poderosas, o livro fala de verdades, que de tão óbvias, esquecemos de lembrar naqueles momentos em que se faz necessário "virar a página". Mostra delicadeza com a dor nossa de cada dia, mas mostra que é preciso pensar, agradecer, superar, ultrapassar, recomeçar, fortalecer, continuar, "se virar". Eu adorei, e vou deixar aqui registrados, além da minha admiração, algumas frases que não sairão da minha memória.

"Paixões passam,
enfeitando o caminho da gente."

"Mais triste do que perder alguém que a gente ama?
Só se a gente perdesse a memória."

"Foi só uma ilusão. Mas foi."

Adorável esse livro, é para ter do lado direito da cama, e do peito, feito bálsamo para as feridinhas da alma, que ficam mais leves, e faz-nos lembrar que, quando a gente vira uma página, acaba, com isso, abrindo uma página nova. Uma página toda nova, para uma história novinha em folha.

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Se eu quiser falar com Deus


Deus deve ter criado as estrelas
por muitos motivos,
mas para mim, Ele as criou
para consolar os corações.

Cada desilusão sentida,
cada cansaço que invade,
cada dor que se aloja,

Ficam pequenos quando
olho para o céu e entrego
meu coração à elas.

Estrelas não machucam
corações.
Pessoas, sim.
Ainda bem que existem bem mais estrelas
que pessoas.
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sábado, 13 de junho de 2009

"Tudo vale a pena se alma não é pequena"




Ontem foi o dia dos namorados. Conversei com algumas pessoas sobre o assunto. Momentos muito diferentes uns dos outros. Ou nem tanto. Falei com Celso, um amigo loucamente apaixonado pelo amor dele. Estava correndo o dia todo, preparando as surpresas, comprou flores, velas, chocolates, fez reserva em restaurante, parecia um Papai Noel no natal, fez uma cesta imensa cheia de presentinhos que ela adora. Muito fofo o Celso. Falei com Ricardo, que estava meio desolado, porque segundo ele, não estava basicamente namorando ninguém. Fofo ele também, dava pra sentir que tudo que ele queria era estar fazendo a mesma coisa que o Celso. Falei com a Val, uma amiga das antigas, que só reclamava do fato de o dia dos namorados cair bem no inverno, por que afinal, que roupa de inverno pode ser sexy?... nenhuma concordamos e rimos. Ela disse que iria usar vestido assim mesmo, porque o amor dela, adora vê-la de vestido. Mesmo tremendo de frio. Coisas do amor. Uma outra amiga querida, estava em cólicas, Patrícia, porque o amorzinho dela estava chegando na cidade, para passarem juntos o dia dos namorados. Gosto da historinha deles em especial porque, mesmo longe, eles conseguem, eles ultrapassam a barreira da distância, e quando se encontram, é sempre dia dos namorados. Ela fez uma reserva num hotel bonitinho aqui da cidade, e passou a tarde toda enfeitando o quarto para a noite deles. E comprou uma lingerie linda, nova, e confidenciou-me que vai dançar pra ele. Achei demais isso. Ah! sim, falei com meu irmão, que é maluco de amor, e que tratou de convencer minha cunhada de despachar as crianças para a casa da avó, e vai raptá-la para a praia. Ele adora praia no inverno. E comprou champagne, por que ela adora. E ele adora tudo que ela adora. Falei também com Marcos que aparentemente não estava nem aí para a data. Aparentemente, porque ele quase não conseguia disfarçar que a emoção dessa data o toca um pouco. Ia para a baladinha, mas desconfio que a baladinha incluia alguma namoradinha. Tudo bem, é meio comercial. Consumista, como conversei com Luiz, mas como tudo na vida, existe o outro lado. A gente não precisa se render ao apelo comercial. Pode simplesmente desfrutar do momento. Para que servem as datas?...pra gente fazer aquilo que o dia a dia não nos possibita. Se existe a data, por que não fazer aquela pessoa que a gente acha incrível, sentir-se especial? Até Luiz, o mais cético de todos com quem conversei, devia ter algo bem planejado para sua noite dos namorados. Não me contou, mas essas coisas, a gente sabe. Dia dos Namorados é coisas de gente apaixonada. E tem muita gente apaixonada por aí. Isso é legal, uma atmosfera de paixão. Paixão é bem melhor que poluição, não? Todos os resturantes, barzinhos, hotéis e motéis com programação especial , e lotados para o dia dos pombinhos. Que são muitos, graças à Deus. É engraçado, mas no fundo no fundo, somos todos seres muito apaixonáveis. Creio que ninguém se arriscaria a jogar a primeira pedra. Falando em paixão, conversei também com Toni, um ser nascido para essas coisas. Coisas do amor. Tem umas convicções bonitas, de amor transcendente, que pelo que entendi, acordou pensando na data, e pelo que pressumo, foi dormir pensando. No meio disso, só Deus sabe. Gostei muito desse dia, foi interessante, estive um pouquinho nesses corações todos, e talvez, em um em especial. Mas isso é assunto para outra prosa. Vive l´Amour!




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quinta-feira, 11 de junho de 2009

BOrBOleta

Vê a Borboleta
que em doces volteios
acaricia suave,
seus cabelos?
_ são meus beijos, amor meu!


(Asta Vonzodas)


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Cansaço

Cansei os braços
a pendurar estrelas no céu.
Destino dos fados lassos.
Tudo termina em cansaços.
Braços.
E estrelas.
E eu.

(Antonio Gedeão)


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sábado, 6 de junho de 2009

Quando a luz dos olhos, encontra.

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A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nome de ruas, e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam...

Mas quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em orgãos de prazer: brincam com oque vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer Amor com o mundo ...

(Rubem Alves)

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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sob um céu de Diamantes

"Então, me faça desaparecer
através dos anéis de fogo da minha mente,
Abaixo das ruínas nebulosas do tempo,
passando longe das folhas congeladas.
O assombro, árvores assustadoras,
para fora da praia ventosa,
longe do alcance distorcido da
tristeza insana.

Sim, para dançar sob o céu de diamantes
com uma mão acenando livremente,
Em silhueta para o mar, circulando por
areias circulares,
como toda memória e destino
navegando profundamente abaixo das ondas,
Deixe-me esquecer do Hoje até amanhã."


(autoria desconhecida)

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terça-feira, 2 de junho de 2009