quarta-feira, 25 de março de 2009

Dos Descompassos ...

"Preciso de um coração
que bata descompassado,
sem ritmo, sem melodia.
Não quero a batida perfeita,

quero o descompasso.

Me dê uma pista,
uma lágrima,
mas me dê algo"


(Cão sem Dono)


*o texto não é de autoria do blog.


*

terça-feira, 24 de março de 2009

RUNAS

Maria Clara era famosa na região. Diziam, suas cartas não erravam uma. Aprendera o ofício do ocultismo com sua avó Dulce, velhinha que jogava runas, búzios, lia a borra do café, as linhas das mãos, a Alma e os corações feridos. Maria Clara, de menina, imitava a Vó Dulce.


Vó Dulce ia mexer nas ervas, e menina ia junto, estava atendendo, e lá estava ela,em algum cantinho, atenta, e com isso foi se inteirando e virou oque virou.


Parou os estudos, passou a fazer tranças nos cabelos e a fazer suas próprias roupas, muito coloridas, enfeitadas com flores, fuxicos, fitas de mil cores, bordados de mil formas. Tatuou estrelas pelo corpo, e mantinha-se limpa de maquiagens, embora abusasse dos brincos. Argolas redondas e grandes. Era bonita a danada! Quem a via vindo assim, não sabia se era uma cigana, uma louca, uma excêntrica ou uma mulher de época. Época de bruxas. Perseguidas e lindas.



Maria Clara era feliz. Nas consultas que concedia, tratava a todos com um cuidado quase maternal, ouvia-lhes suas desesperanças, suas aflições e no fundo daquelas almas aflitas, conseguia ver o sonho, o anseio mais caro,... e quando falava oque via, sorriam-lhe os clientes, porque era disso que se tratava, tocar os sonho. Sonho que quase sempre envolvia Amor. Se a pessoa queria dinheiro, era pra se casar. Se a pessoa queria saúde, era pra poder ficar ao lado de quem amava. Se queria viajar, era pra esquecer um grande Amor. Se queria saber do futuro, dele queria a pessoa saber as coisas do Amor, de modo que ficou conhecida como Maria Clara , a moça que lia o Amor.


Aprendera com Vó Dulce que o Amor é, sempre, o bem mais caro dos Homens, e por isso, recebia a todos com Amor. Acendia incensos suaves de baunilha, porque ouvira que era o cheiro mais próximo do Amor, usava lâmpadas rosas, porque ouvira que essa era a cor do Amor, oferecia chás quentinhos, porque achava que isso aquecia e relaxava os corações. Atendia seus clientes num tapete macio, repleto de almofadas coloridas e macias também, e ficava perto, tocava-lhes as mãos, os olhos, sentia-lhes o cheiro, soprava pós coloridos sobre eles, e a magia acontecia sempre. Quase sempre.


Quando uma pessoa vinha até ela, vinha predisposta a ser tocada, metade de tudo o que acontecia, já estava feito. Quase sempre. Em certa data bateu-lhe á porta um moço. Bonito moço. Tinha uma voz envolvente que pegou Maria Clara de surpresa:


_ é aqui que se vê a sorte?





[O coração de Maria Clara começou a bater descompassado, não entendia o poder daquela voz quente. O coração do moço, Sales era seu nome, batia acelerado também, não estava preparado para uma moça com ares de princesa, esperava uma senhora idosa cheias de verrugas e cabelos brancos.]





_ Sim, claro, entre, por favor!





Convidou-o a sentar no sofá da saleta de espera, perguntou-lhe o nome, e pediu que esperasse ser chamado. Entrou em sua sala, respirou, respirou, respirou e não conseguia se acalmar. Chamou-o mesmo assim. Ele sentiu um estranho conforto naquele ambiente tão feminino. Esboçou um sorriso tímido, e acomodou-se, naõ sem uma certa falta de jeito, nas almofadas macias. Sentiu tontura ao olhá-la. Ela pediu que ele fechasse os olhos, e quando tocou-lhe os olhos com suas mãos pequenas e perfumadas, ambos estremeceram. Uma corrente quase visível de mil partículas lilases se anteciparam, e ele, num sobressalto, afastou-lhe as mãos.


Disse que tinha vindo ali pra ver a sorte e não para ser tocado, que na verdade nem queria vir, veio porque sua irmã, com quem dividia a morada,não suportando-lhe mais o mau humor diário, o intimou a visitar Maria Clara, para ver se ela lhe apontava alguma direção. Disse que não acreditava em nada daquilo, que não gostava que lhe tocassem, que estava infeliz, que não via sentido nas coisas, que queria morrer, que queria desaparecer da face da terra, e quando deu-se conta, Sales chorava. Aquele toque em seus olhos, aquelas mãos suaves fizeram-lhe ver. Ver sua imensa infelicidade, seu vazio, seu medo. Mas não foi nada disso que Maria Clara viu.


Calmamente, serviu á ele um chá de muitas ervas doces, em uma xícara antiga e delicada, e depois que ele tomou o chá, pediu que ele fechasse os olhos de novo e lhe desse as mãos. Ao tocar-lhe as mãos, quentes, grandes, morenas, de uma masculinidade quase refinada, beijou-as. Uma palma, depois a outra. Aí, orou a seus anjos, a sua avó Dulce, a seus santos e ao Criador, e pediu que lhe dissesem o que dizer a esse moço lindo que em sua frente estava, cheio de dor, e com tanto amor escondido. Decidiu jogar Runas. Estendeu um veludo roxo e jogou. E o que viu, deixou-a sem palavras. Claro como uma noite de luar, viu-os juntos, naquele exato momento, viu o desenho do encontro, o desenho da descoberta e de algo mais que nunca tinha visto em sorte alguma.



_ Sales, algo em sua sorte mudou repentinamente. Você não terá sua resposta de forma clara, apenas saiba que no seu choro de hoje estavam todas as suas mágoas, que em suas lágrimas estava a despedida de algo que há muito o atormentava, e que, por algum motivo, ao sair daqui, sua vida será outra. É oque diz a sua sorte.



Olharam-se demoradamente, quase podia-se ver, de novo, as milhares de partículas brilhantes e lilases em torno deles. Não falavam, não sorriam, eram suas almas que se tocavam, se encontrando, se reconhecendo. Ele pôde vê-la em tantas outras vidas e pôde entender sua própria amargura causada por aquela imensa saudade que por ela sentia, e ela, pôde vê-lo como o seu Amor de todas as vidas.

Voltaram juntos do transe, e sorriram, e em seus sorrisos se reconheceram e souberam que tudo aconteceria outra vez.



Maria Clara acompanhou Sales até a porta, e antes que ela pudesse abrir, ele tomou-lhe as mãos e disse:

_ Você liberou algo em mim, vir aqui causou-me o melhor bem que já experimentei nessa vida. Você é maravilhosa. Obrigado!



Ela sorriu, ficou um pouco agitada e pensava,

[ Meu Deus, ele não pode ir embora, o que eu faço?...]

Fez a única coisa que lhe ocorreu: convidou-o a voltar. E ele voltou. Naquela mesma noite.



Com lindos Lisyanthus rosas, brancos e lilases em suas mãos, ele chegou. Ela sabia que ele viria, e o esperava com seu vestido rosa antigo, que com as flores que adornavam seus cabelos, hoje soltos, conferiam-lhe um ar de ninfa. Haviam velas acesas, perfume no ar, e um vinho raro a lhes esperar. Amaram-se de pronto, um amor de delicadas urgências, e no encaixe de seus corpos, experimentaram a mais perfeita de todas as emoções. E brilharam sobre eles, as centenas de milhares de partículas brilhantes e lilases, que souberam, tratava-se do Amor.



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segunda-feira, 23 de março de 2009

ROMANCE

Romance é o nome do filme. Lindo roteiro de Guel Arraes, produzido pela toda poderosa Paula Lavigne e um elenco perfeito. Adoro cinema nacional. Tristão e Isolda e sua interrogação de séculos sobre a impossibilidade do amor recíproco existir, é o argumento perfeito para o desenrolar de um filme sobre o Amor.
Acachapente, um soco no estômago. Faz a alma quase explodir de agonia, acelera todas as inquietações já tão presentes, provoca a ira, a inveja, a dor. Provoca as lágrimas, a esperança, alguma crença.
O Amor acontece, creio eu, em todas as direções, mas a predisposição para viver um amor e sua dor, é coisa para poucos. A máxima de Tristão e Isolda "quanto mais longe estás, mais te desejo", foi tão fundo na veia, que inspirou Shakespeare,uma sucessão de autores até hoje. Por acaso que não foi. Basicamente, sentir amor estaria ligado a ideia de sua impossibilidade. Algo como se a negação do Amor, fosse um gesto maior de amor, com intuito de preservá-lo. Então o anseio, a inconformidade de não poder vivê-lo, a ausência do amado faria o amor desdobrar-se em dor e viver. Parece doentio, altamente doentio na verdade, mas senão vejamos:
_ cadê o grande amor da sua vida? Está ao seu lado?...
Ou então, por que a repetitiva rotina de uma paixão acontecer, os amantes enlouquecerem de amor, e aí, passado o período de descobertas e acelerações químicas, os desencontros passarem a ocupar o lugar do desejo de estar junto, da fome, da sede, a rotina trazer consigo o tédio, as mil qualidades de antes serem substituídas por olhos críticos e anuladores, e a sucessão de provas de desamor darem um fim ao que seria o imorredouro amor?...
Tristão e Isolda perpetuaram seu amor na impossibilidade de viverem esse amor. Os furtivos encontros, os secretos momentos, os alimentava, mas de igual forma, os levava ao desespero de querer viver um amor e não podê-lo. O desespero do Amor e a morte. Será que no paraíso seríamos abençoados e libertos da maldição de não podermos viver infinitamente um amor, reciprocamente?...
Bem, no filme a condução é outra. E por isso mesmo, dói um cadinho a mais.
Os amantes vencem a maldição. Insistem, se aventuram, toleram, suportam, e em seus sucessivos gestos de amor ao amor que sentem, eles conseguem. ELES CONSEGUEM!
É lindo de ver, lembrou-me até uma fantasia de outrora, de filmes e livros e uma casa de vidro e amor e arte. Ela, sua atriz, ele, seu diretor, vivendo ambos de arte e de amor, fecham o filme com alguma realidade. Dois seres humanos bonitos, que aceitam a transformação do Amor em algo mais lento e mais sutil, e nessa entrega, e até nas individualidades, formam um par.
O filme termina com aplausos, aplausos que se estendem aos fazedores de arte, a boa arte, que nos faz sonhar e acreditar, aplausos a ideia de que o Amor é possível, e que se não foi desta vez, haverá de ser em alguma outra vez, aplausos para todos nós, viajantes em busca do amor, e aplausos ao amor mais amoroso, essa benção ou maldição dos Deuses, que devem adorar assistir do alto dos seus Olimpos, a nossa doce agonia de todo dia, que é o Amar.


Assista o filme,
leia o livro,
e ame o seu amor,
seja ele quem for.


*

sábado, 14 de março de 2009

Uma História Romântica

Todos os dias, ela fazia o mesmo trajeto. O seu trajeto. Gostava especialmente de passar por aquela quadra. Especificamente a quadra da padaria Panne D'Amour. Eram as ruas mais floridas as daquela quadra. Margaridas nos canteiros lembravam estrelas à ela. Tinha aquele cheirinho de pão sempre fresquinho e as vitrines com todos aqueles doces. E sonhos. Amava sonhos, em especial os de creme. Os sonhos de creme da Panne D'Amour. E tinha Gregório, o moço do balcão. Ela passava, olhava pra dentro, ele a olhava, sorria e dizia:
_ Olá, Alais!
_ Olá, Gregório!

E seguia sorrindo, meio saltitante já que seu coração ficava aos pulos por vê-lo, e por toda aquela quadra doce, cheirosa e florida. E amada.
Num desses dias, quando Alais andava mais distraída do que nunca, ela tropeçou exatamente ali. E caiu. E machucou o joelho. Que sangrava. E ela pensava:
_ e agora?... e agora?... e agora?...

Não tinha coragem de levantar o rosto, sabia que ele estava ali. No segundo seguinte, no entanto, ele estava ali sim, só que ao seu lado, solícito como só um cavalheiro sabe ser. Numa cena lenta, ele pegou sua mãos, ajudou-a a levantar, olhou em seus olhos, algumas gotas de suor caiam-lhe nos olhos conferindo a ele uma coisa tão masculina, pensava Alais, e ele levou-a para dentro. Limpou seu joelho, fez um curativo delicado, tudo em silêncio, um silêncio também delicado. Ela o olhava sem entender como aquela proximidade podia ser tão suave, encaixada, natural... ele a tocava com um afeto urgente, de um querer de vidas, como se tivesse sido ele quem se feriu...
_ Pronto, Alais, agora você vai comer um sonho fresquinho que acabou de sair, o doce te fará bem.

E lá veio ele com os sonhos, guardanapos dobradinhos, e ela ali, quieta como se estivesse assistindo a si mesma em uma cena feliz. Sorria, no entanto, o tempo todo.
_ Preciso ir, Gregório, mas queria agradecer seus cuidados comigo. Sua gentileza, roubou-me as palavras e eu não sei como agradecer.
_ Mas eu sei, Alais.

Ela corou, abaixou os olhos, como era tão típico seu fazer.

_ Estou testando uns sabores novos para os meus sonhos. Então, gostaria de convidá-la para um piquinique no sábado. Vamos ao parque, saboreamos os sonhos, a natureza, e aí, quem ficará grato serei eu.
_ Eu?... sábado?...

Ele riu:
_ Sim, Alais, sábado.
_ Seria ótimo Gregório, obrigada.

Levantou-se rapidamente, e quando já estava na porta, voltou, sorriu para Gregório e disse:
_ Certo, sábado.

O dia de sábado chegou, eles foram ao parque, estenderam uma manta macia sobre a grama, e estão lá, saboreando sonhos, com a intimidade que só o suave amor sabe emprestar.
Gregório, Alais e os sonhos da Panne D'Amour.


*

terça-feira, 10 de março de 2009

Talvez, um desapego...

Saudade é quando o momento tenta
fugir da lembrança para acontecer de
novo e não consegue.

Lembrança é quando, mesmo sem autorização,
seu pensamento reapresenta um capítulo.

Vontade é um desejo que cisma que você
é a casa dele.

Paixão é quando apesar da palavra "perigo"
o desejo chega e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro
compromisso marcado.
Não... Amor é um exagero.. também não...

Um dilúvio, uma mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole,
uma necessidade, um desapego?
Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação,
esse negócio de Amor, não sei explicar.


(Mario Prata)


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O gosto que fica

"Porque ela o enxergava por dentro.
Tão fundo... Porque se desprendia dos
olhos incrédulos do mundo,
que só vão até onde a retina pode alcançar.
Os dela não, iam além, eram dele...!
Porque ela o olhava feito menina.
Porque se desfazia de olhares rasos
a superfície, pura e simples,
não cabia em seu olhar.
(...) Porque o culpava tão pouco.
E o queria tão perto.
E o amava tão mais...!"


*

domingo, 8 de março de 2009

Love me
till my
heart stops.
*

quarta-feira, 4 de março de 2009

Chico e mulheres escancaradas

Ai, o Amor
Jamais foi um sonho
O amor, eu bem sei
Já provei
E é um veneno medonho.
É por isso que se há de entender
Que o amor não é um ócio
E compreender
Que o amor não é um vício
O amor é sacrifício
O amor é sacerdócio.
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu.
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi.
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(Chico Buarque)
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Mulheres Escancaradas II


(...) é que há épocas em que estou lúcida e te odeio muito _ cato o saco de motivos que me deu, e vasculho até lhe desejar o fim.
Mas há outras em que me falha a memória e a saudade me trás você bom, adorável.
Aí amo e amo e amo até me perder na ilusão. Só vou reaver-me dias depois, já de joelhos vasculhando o chão a procura de minha vida.
Preciso tanto arrumar tempo pra aprender a te querer menos, mas ando muito ocupada remendando um coração partido.É tarefa longa, não costuro bem. E longa é a avenida de clichês que se engarrafam no rush da minha cabeça. Amor burro.
Ás vezes, me assolam desejos insanos.
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(Entre Ossos e a Escrita/ Maitê Proença)
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Insanos como voar, por exemplo.
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Mulheres Escancaradas I

(...) e você sabe que eu nem consigo deitar com outro, porque o meu corpo grita NÃO e me chama de prostituta? Tem um buraco que fica entre os dois peitos, parece uma moleira, mas chamam de plexo solar. Por ali me entra cada coisa... Outro dia entrou o mar inteiro, subiu até a garganta, apertou tudo, e está lá _ não quer sair. Vou te mandar um pouco. Cabe aí, ou você continua empanturrado pela terra que engoliu pra não morrer de fome da falta de mim? Até quando será, vida minha, que o destino espera a gente se cansar de andar em círculos? Será que ele vai ter paciência infinita com essa mania de a gente se amar de longe? Ou um dia Ele nos puxa pelas orelhas, bota os dois juntos, e tocados pela varinha do cosmos, saberemos que era ali que sempre quisemos estar?... Você fará um abrigo bonito para o nosso amor, tô até vendo, você sempre teve bom gosto. Eu te puxo pra rede, faço um cafuné sem fim, conto histórias pra gente dormir. Ai, que bom... Já pensou o cansaço que vai bater quando finalmente a gente parar com isso? Ah, você contou pr'alguma delas que pensa em mim todos os dias, e que há dias em que pensa sem parar? Perturba, não é? A gente não consegue fazer as coisas, tocar o barco, nem fingir direito que gosta de outro dá. Eu também acordo todos os dias tomada por você. E ando acordando de madrugada. Você parece que pula em cima de mim, eu dou aquele salto e pronto, é risada, conversa fiada, lágrimas, de um tudo, mas nada de dormir de novo. Você não deixa. Depois passo o dia bocejando e não tem como explicar, vou dizer o quê? Passei a noite com meu amor que não estava comigo porque... Por quê? Outro dia acordei querendo sucumbir de saudade. Tinha palpitações, era grave, liguei pro médico. "Estou sofrendo de amor, não paro de chorar, meu coração vai sair pela moleira do peito, e hoje não é um bom dia pr'eu morrer. Ele fez a receita na hora. Desculpe, mas eu tive que contar pro médico que você não me deixa dormir. Ele falou pr'eu te mandar embora. Mas já fiz isso, nós sabemos quantas vezes, não é? E você não vai. Quando vai, não sai de dentro de mim do mesmo jeito, entranhou.
Vendo-me triste, perguntaram:
_ Por que você fica com quem te faz sofrer?
_ Porque no amor a gente tem que fazer tudo que puder pra dar certo.
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(Entre Ossos e a Escrita/ Maitê Proença)
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E assim passam-se
os dias
e as noites.
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Fragmentos


Fragmentos
por todas as partes,
onde coloco meus olhos, os vejo,
múltiplos e coloridos,
vão se esvaindo em dor.

Fragmentos
de beijos, de abraços,
Fragmentos
de esperanças, de planos
Fragmentos
de cor, de dor, de amor.

Fragmenos
por todas as partes,
onde coloco meu coração, os sinto,
amados e despedaçados,
vão se espalhando no chão.

Fragmentos
de mentiras, de maldades,
Fragmentos
de vazios, de vontades,
só não ficam em fragmentos
a dor e as saudades.


*