sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O barulho


Os últimos dias de Dezembro são sempre iguais. O relógio parece andar ainda mais rápido, todos a espreitar o coitado. Tudo parece urgente. Todos correm, e o barulho das ruas e das gentes beira o absurdo. Festas, viagens, planos, promessas, revisões de atitudes. As pessoas acreditam mesmo que algo vai mudar só porquê muda uma data? Olho o relógio lá, e o vejo pensando, _ gente, tudo bem, dá tempo, vou continuar o mesmo, haverão horas e muitas, nada está acabando, calma, calminha...Por que estão todos com tanta pressa? Para se livrar do ano logo, e junto com essa passagem, acreditar que para trás ficarão todas as decepções que são tantas, e que tanto doem?, é... faz sentido mesmo. A sensação que tenho é que é disso que se trata; sumir com oquê não deu certo. Sumir com as dores. Desejar a alegria. A renovação. Pois é. Tem gente que fica alegre nessas datas, mergulha nessa possibilidade. Faz-me lembrar da Curva de Gauss, probabilidades de erros. De acertos... Quanto a mim, fico especialmente não alegre. Essa exigência de que sorrisos estejam mais abertos do que nunca, felicitações multiplicadas causam-me tantas interrogações...prefiro olhar os dias como meros dias e pronto.

Ontem, dois fatos me chamaram a atenção. Um, foi com um amigo e penso que não adianta remoer, nem ruminar porquê, via de regra, decepções acontecerão e muitas, e infelizmente já deixaram de ser novidade faz tempo. O fato foi esse. Aceitar, simplesmente. Poderia embarcar na viagem da meaculpa, e analisar meu próprio comportamento, mas sabe, prefiro esquecer, e nessas horas, penso apenas que é bom mesmo que ano acabe logo. LOGO. O outro, foi com minha sobrinha, Belinha. Encontrei com ela rapidinho ontem. Ela tem olhos imensos, é quieta e apaixonante. Tem dois aninhos. Não disse nada, só ficou passando a mãozinha nos meus cabelos, bem devargar, todo delicada como só ela sabe ser, enquanto eu falava com meu irmão. Cinco minutinhos que gostaria que durassem pra sempre, o toque das maõzinhas tão puras de Isabela nos meus cabelos é que me faz estar aqui hoje, e acreditar. Sabe, quanto mais eu vivo, mais me vem a certeza que as horas, os anos, a vida, só valem pelos momentos e pessoas que são do nosso coração verdadeiramente, pessoas que nada nos tiram, só acrescentam. São o puro amor. Se tem alguma coisa que comecei a aprender em 2009, foi isso, o importante é ficar perto dos seus. É isso. Hora de me arrumar que hoje tem mais uma festinha de amigo secreto, e o pobre do reloginho me avisa que estou atrasada. Beijos.


*

Um comentário:

Costureira de estrelas. disse...

É bem isso...
Te deixo o desejo que o Natal e o ano novo sejam doces, leves...
Besitos :**