segunda-feira, 26 de outubro de 2009

CURIOSIDADES















































Você não me conhece. Pensa que conhece, mas não creio que você saiba nada de fato. Nada de importante. Nada do que importa. Quer ver?... Aposto que você desconhece o quanto adoro andar pela praia, e tomar sol com meus seios nus. E isso importa pra mim, porque gosto da sensação de minha feminilidade mais delicada, sendo beijada pelo vento. O Vento, ser masculino que imagino como sendo você. Será que por isso que aprecio tanto o vento pelo meu corpo? Como se todo o teu ser estivesse nele, e adentrasse pelos meus poros. Como sendo vento. Como sendo você. Você sabe disso? Não, você, não sabe. Assim como você não sabe que a cor que prefiro para os lençóis é branco. Como as cortinas, as velas e o tapete de pétalas de rosa que imagino que você prepara pra mim, para minha chegada. Como você disse que seria. Ou será que não disse? Seu ser urgente pensaria em coisas assim? Uma noite tântrica, branca, de sentidos muito mais do que de meros apelos visuais. Você não sabe que amo janelas, sabe? Não, você não sabe. Amo janelas e portas. Gosto de imaginar acolhidas. Portas lembram-me abraços, enquanto janelas, fazem-me lembrar noites sorrateiras. Acho uma fantasia interessante, imaginar você entrando pela janela branca do meu quarto, que está sempre destrancada. Por que será? Você não sabe, certamente! Muito menos saberia que tenho nostalgia pela França porque a minha tataravó, de quem trago o nome, nasceu lá, casou aqui, mas desapareceu um dia, sem maiores explicações, para voltar para os braços de seu amor francês que finalmente decidiu romper barreiras e assumir o amor por ela. Ela deixou pequenas delicadezas para cada filha que teve. Uma delas está comigo. Um broche pequenino em forma de uma estrela lilás. Você não sabe, mas ela aparece pra mim ás vezes, e me diz coisas. Conta-me segredos e diz que não é pecado ter segredos. Pecado é não saber viver. Sonhei com seu amante francês uma vez, um jovem intrigante. Sorria para mim no sonho, e piscava o olho . Mas você não liga pra essas coisas, né? Nem deve ligar se mulheres ficam mais femininas de vestido. Pois eu amo vestidos. Uso vestidos sempre. Sinto-me mais bonita usando vestidos. Curtos, longos, brancos, transparentes. Vestidos. Coisas de moça boba. Coisas. Outra coisa que você não sabe. Sou louca por coisas. Apegada às lembranças que elas carregam. Como aquele coração, lembra? Não, claro que você não lembra. Eu carrego um coraçao na bolsa. Um coração e um tercinho de contas transparentes. Beijo o terço ao sair, e depois de beijar o seu coração, peço proteção para nós dois. Mesmo que você nem ligue. Tenho caixas, malas, pacotinhos, meu tesouro é feito de pedaços de papel, flores secas, poemas, prosas, frou-frous cor-se rosa. Não, não ao estilo barbie. Estilo mulher que ama sua antiguidade, simplesmente. E ama transparências. Sinto-me bonita entre transparências. Certas vezes, danço entre as cortinas do meu quarto, nua, como se fosse para você. Apareço e desapareço, e nessa fantasia, você não olha só meu corpo, você vê minha alma. Alma de louca. Alma de quem nunca está só. Alma de quem tem segredos e orgulhos. Mas que tem leveza quando amada. Leveza de flores de campo. Flores de campos perto do mar. Flores que não são as mais belas e desejadas da constelação floral, mas que é flor mais do que nunca. Flor de resistência. Flor que se rende ao mar, aos portões, ao sol, ao lilás de toda uma vida. Sabe por quê? Porque tenho sorte. Muita sorte. Quando eu nasci, meu pai achou um trevo de quatro folhas no jardim da maternidade. Mandou fazer um, bem pequenininho em ouro, e me deu como presente de nascimento. Trago ele comigo. Dia e noite. Sabia?... não, você não sabe. Você nem sabe a cor do meu sorriso, como poderia saber disso? E como poderia saber que a palavra mais linda do mundo para mim é ENCONTRO? Sim, encontro. Encontrar. Tenho encontrado tantas coisas na vida! Curiosas e bonitas. E pessoas. Curiosas e bonitas. Queria que você tivesse curiosidades sobre mim, e me achasse bonita. Encontrasse em mim o que eu encontro em você. O que eu encontro em você? Aposto que você não sabe, mas isso eu não vou contar. É segredo e está guardado na mesinha de lado da minha cama, junto ao terço de contas transparentes, junto ao coração, ao broche de estrela e ao trevo pequenino. Está tudo guardado junto a mim, e protegido pela janela branca que está sempre destrancada, muitas vezes escancarada, para um vento quente que não cansa de entrar. E trazer o que amo. E trazer vida. E trazer-me de você!









9 comentários:

tbernardesb disse...

bom em alguns momentos me vi como 1° e 3° pessoa!! queria q o texto nunca acabasse e tb queria saber lhe contar o quanto é bonito imaginar tudo o que escreve!!

Anônimo disse...

Dos teus contos, é o mais lindo que eu já li.

Mar disse...

Perfeição;

Érika disse...

Que lindo!!!


Eu também acho a palavra encontro linda por demais, também tenho encontrado tantaaaa gente bonita neste velho mundo,e ao ler esta formosura lembrei do que Vinicius falou; "a vida é a arte do encontro embora haja tantos desencontros pela vida" e por isso desejo que apesar de todos os desencontros, você ENCONTRE logo este alguém que ainda, sabe tão pouco de você e ainda bem que você conta com a sorte, pois ela quando é companheira, é também fiel.

Beijos!!!

Ana Carolina Carvalho disse...

É um conto muito lindo!
E a primeira foto me toca de uma maneira tão diferente :)
Beijo

Penélope Chiz disse...

belo post.

Natália disse...

Be, estarei aqui torcendo para que numa das noites dessas a tua janela ouça os teus delicados pedidos e traga o "menino azul" para ti.
Beijos meus.
Beijos nossos!!! : )

Louise disse...

Muito lindas as fotos...
Lindo o texto tb..
Já estou seguindo o blog, é perfeito!
Se puder, passa lá no meu e me siga tb, ficarei feliz!
;D
bjinhus..

renata disse...

-

detalhes, né be.
detalhes tão lindos e bem amarrados.

entedi cada um deles...

beijos estalados em você!

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