terça-feira, 28 de julho de 2009

É tão óbvio ...

Ele perguntou à ela por que Paris a impressionava tanto.
Ela poderia responder de tantas formas...

Pensou em falar do Sena, refletindo a luz dos dias e das noites da cidade.
Poderia falar da arquitetura única, charmosa, que faz de cada ruela de Paris um lugar especial, acolhedor.
Poderia dizer que trata-se da Cidade Luz, tanto por suas mil luzes encantadas, como por conta de sua intensa movimentação artística.
Poderia falar de como a Arte transita livremente por todos os lados, natural como as flores da cidade.
Ou falaria dos cafés, dos monumentos, da grandiosidade de cada metro quadrado de lá, onde grandes figuras como Monet, ou Jean Paul Sartre como Simone de Beauvoir por ali estiveram, criando, amando e vivendo suas histórias.
Poderia lembrar à ele que cada pedra da cidade pode ter emocionado artistas tão diversos como Brunel, Da Vinci, Picasso, Hemingway, Oscar Wilde. Todos amantes e amados de Paris. Mas isso tudo é tão óbvio...
Ela precisaria falar sobre a poesia que a cidade inspira nas almas de quem se deixa seduzir pela magia da cidade. Teria que falar de permissão. Sim, permissão. Permitir-se adorar, se encantar, se apaixonar. Paris é para os loucos, os sonhadores, os poetas, os artistas, os visionários, os encantados, os alterados pela emoção. Pelos que se permitem à isso. E permitem-se os prezeres simples, como saborear uma Tarte Tatin lentamente em algum café tranquilo, assistindo uma gente leve e despretensiosamente elegante movimentar-se, como se em algum palco estivessem, protagonistas da vida, são todos em Paris.
Por que?
Porque o Amor é alegórico em Paris. Exibido, generoso, farto, permitido. O romance está por todo ar. Respira-se sedução, charme, há um convite permanente à vida, e sendo a vida, um caminho sempre rumo à paixão.
Ela poderia falar tantas outras coisas mais que a fazem pensar em Paris como o cenário perfeito para seus planos, seus sonhos, seus segredos, mas decidiu não responder nada. Pensou:

_ Se ele precisa fazer essa pergunta, é porque não entenderia a resposta.
Assim como ele nunca soube entendê-la, nem ao amor, nem à ele mesmo talvez. Certas coisas não se compreendem sem um longo e atento olhar. Certas coisas exigem paixão para serem compreendidas.
















PARIS EST LA VILLE DE L'AMOUR





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2 comentários:

Vanessa disse...

Acho que nem só paixão, Be, certas pessoas, na verdade, não são como a gente imaginava que fosse, nesse exercício de fantasiar, criar, a gente se perde ás vezes, não que isso seja ruim,não, mas 'mascara' a verdade um pouquinho... Mas só pensar em Paris, aiaia, já vale a pena

beijos muitos no teu coração

e força pra tudo nessa vida

=***

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Bia disse...

Força pra tudo
nessa vida, pra todos Nós.

...e que fantasiar se torne, vez ou outra, um ato armado para as surpresas, e não para as decepções.

Beijo, flor.