segunda-feira, 13 de julho de 2009

O VÔO AZUL

Liela sempre gostou de estrelas.
Do céu, do sol, da lua.
Gosta especialmente de olhar pipas voando
num céu azul. Bem azul.
Ama passarinhos, que em seu quintal são muitos.
Hoje mesmo apareceu uma família nova de pássaros azuis do peito amarelo, coisa linda, instalaram-se no pé de laranja. Que aliás, está carregadinho.
Borboletas, pirilampos, vagalumes, tudo o que voa, a encanta. Deve ser por causa da sensação de liberdade que causa o vôo.
De uns tempos para cá, Liela deu de gostar de aviões. Muito. Não os de linha comercial, grandes e tal, mas os pequenos, antiguinhos, que voam baixo e bonito.
Tudo aconteceu na praia:
Liela saiu para fazer uma caminhada, coisa que adora fazer na praia, quando do nada surgiu um avião pequeno e azul. Voava bem baixo, e voou assim baixo, acompanhando-a tanto na ida, quanto na volta. A praia estava vazia, e o dia era azul. Quando, ao fim da caminhada, mergulhou no mar para refrescar-se, ele foi-se embora.
_ estranho! Pensou.
Naquela noite, enquanto se balançava pra lá e pra cá na rede, e olhava alternadamente para o mar e para o céu, do nada, o avião azul apareceu de novo. Voou muito baixo, bem perto da varanda, e então começou a voar alto, muito alto, até ficar na mesma linha da estrela preferida de Liela, e... parou. É, parou. Ficou ali parado, na mesma linha da estrela, por um longo tempo. Ela olhou, achou estar delirando, olhou de novo, agitou-se. Mas ele estava lá, suspenso no ar ao lado da sua estrela. Como coisas estranhas nunca foram exatamente novidade para ela, em certa altura ela relaxou e pôs-se apenas a olhar. Sabia que aquilo era com ela, e se seus sentidos não captavam o significado, o melhor era apreciar. Ela suspirou, e sorriu. Então, nessa hora o barulho do motor do pequeno teco-teco voltou a ecoar, e o avião voou para longe. Era meia noite. Nessa noite, teve um sonho bom. Voava alto, dançava e sorria ao lado de alguém que nunca vira, mas que apreciava demais a companhia. Não podia ver seu rosto, mas sabia que era bonito. E cheiroso. Cheirava a chocolate, tinha cabelos bonitos e escuros, e quando ria, balançava o corpo de uma forma sedutora. Ao acordar, no dia seguinte, sentiu-se estranhamente feliz. E muito.

Foi assim que os aviões tornaram-se uma paixão para Liela. E também porque, todos os dias, em alguma hora do dia, algum aviãozinho antigo voa bem baixo sobre seu local de trabalho. E a noite, sempre às vésperas da meia noite, um avião azul dá duas voltas em torno de sua casa. Ela corre até a janela, e sorri. Ela sabe que é para ela aquele vôo. Então, o sono chega incontrolável, e ela dorme rapidamente. Mergulha num sonho azul, cheio de possibilidades.
_ não, ela nunca contou isso à ninguem. Quem iria acreditar?
_ só euzinha, mesmo!

*
p.s.
o nome dela é Liela mesmo. O mesmo nome da prima preferida de Jonh Lennon.
*

4 comentários:

Vanessa disse...

um sonho ?

beijocas
=)

.

Bia disse...

Pois é Dona Van,
veja você, estava com o texto pronto desde ontem, e você intuiu o tema. Claro que sim, né?

Beijos
:)

a primeira estrela disse...

leila não é a única menina bia!Aaah, que vontade de ter minha inocência de volta...

Flor de Bela Alma disse...

Lindo demais, amora!