sábado, 30 de maio de 2009

Lascívia

Eram dois sem-vergonhas. Não valiam um níquel furado. Ela reclamava dele. Ele reclamava dela. Mas quando se encontravam, a razão não fazia nenhum sentido. Sentido só fazia as mãos dele na pele dela. O sentido só queria, o desejo dela, nas mãos dele. E assim os sentidos todos gritavam. Gritava a visão desnorteada sem saber o que fazer com oque os olhos de um, comunicava aos olhos do outro. Era incadescente demais, queimava as retinas. E as narinas, com o sutil perfume que dele vertia até ela, e que dela seguia até ele, ardente, picante, que fazia as papilas contorcerem-se sem entender como a saliva podia queimar assim, como fogo, e ainda assim, arder mais, e querer que mais ainda ardente se tornasse, e se multiplicasse, e suplicasse em palavras que nem eram ditas, para que o toque fosse urgente, e cessasse aquele tremor que aos dois dominava, sem que mais nada pudessem ouvir, a não ser a música que seus próprios corpos orquestravam, acelerando palpitações, anseando o encontro dos seus sentidos, onde palavra alguma se encaixava, a não ser a que ele sussurra baixinho para ela, e a qual ela responde ainda mais baixo para ele:

_ depois a gente pensa, vamos sair daqui.
_ vamos!

*

2 comentários:

Biba disse...

O encaixe dos corpos que ainda não se dá mas é preliminar, uma busca. O desejo desejante. As pulsações, enfim. Muito lindo o seu texto.

Beijos
carpe diem!

a primeira estrela disse...

realmente,pensar não é uma das melhores opções,eu acho que o nosso corpo escolhe,a gente sempre sabe quando e o que quer principalmente se esse querer for outro,que falando a verdade,é maravilhoso ;) mutio bons o texto,me encantou bastante :3
beijo pra menina bia:*