terça-feira, 14 de abril de 2009

Dos sorrisos


Em certas ocasiões, sorrir é um gesto meio difícil de realizar. Você tem que mover aqueles músculos faciais todos para o sorriso sair, o coração não ajuda, bombeia descompassado, as sinapses recusam-se a colaborar e não enviam seus sinais, os olhos olham mas não vêem, não encontram o motivo, e só a alma fica ali, desesperada, gritando:

_ ei !... reaja, sorria, não seja ingrata com tantas pessoas e coisas e vidas que merecem um sorriso seu. Não importa o que te roubou a vontade de sorrir, pense... isso simplesmente não é tudo.

Temos certa tendência á sentir conforto ao que nos causa dor. A gente fica ali, quietinho, alisando lembranças, e cativo, vamos privando o mundo da gente e a gente do mundo.

Sorte é que dona Alma não dá sossego. Acredito que na alma exista algo como "a partícula original", nosso elo com a criação, o Amigo Invisível presente, e Ele deve sofrer mais que a gente, e em dado momento, acho que Ele fica tão cansado de ver aquela tristeza nossa que insiste em reinar, que Ele acaba operando, Ele e sua partícula divina em nós, abrem nossos olhos para VER.

São os pequenos milagres do dia a dia. São simplicidades que falam, amigos que se mostram mais carinhosos do que nunca, um vestido bonito á preço de banana, um telefonema daquela pessoa querida, um convite para a praia, um elogio sincero. Pode até ser aquele sonho de creme que está mais divino do que sempre. O que acaba acontecendo, é uma sucessão de presentes cotidianos que vão nos trazendo de volta. E aos sorrisos também.

Quando a gente volta a sorrir, o movimento se inverte, e você sente de novo uma vontade grande. A vontade, o querer, a partícula inquieta que nos quer sorrindo. E aí, novos encontros acontecem, outras músicas te inspiram, aquele corte novo no cabelo fica até bem bonito, você faz as malas, vai pra praia, reencontra-se com dona Alma, que acelera o coração, que bombeia o sangue nas veias com mais ritmo, intensidade, desejo, as sinapses precipitam-se em eletricidades multicoloridas, e os sorrisos reaparecem. Tímidos, desconfiados, mas sorriem.

A dorzinha, as saudades, a lembrança?... estão todas lá, mas não ocupam mais o espaço todo, precisam se encolher, se ajustar, porque o milagre do novo, insiste em acontecer. E sorrir. E porque como diz a música, "é melhor ser alegre que ser triste, a alegria, é a melhor coisa que existe...", e além de que, sorrir faz bem ao coração. Literal e romanticamente.


*

Um comentário:

Lucas Branco disse...

PRONTO,


mais uma vez eu leio o que penso.


;}

gostei muito.