terça-feira, 28 de abril de 2009

... mais ela do que ela mesma

E a menina corria...
Corria contra o tempo,
contra as bolhinhas no esmalte rosado,
contra o suor que insistia em escorrer por entre seus cabelos,
contra as coisas que não podem ser,
contra os sonhos que ela insistia em sonhar só nos sonhos...

A menina corria arteira com rosto de quem não se cansa.
Rosto de maratonista da vida. Ela corria... Corria!
Vez enquando ela pulava. Saltitava. FLUTUAVA.
Plainava sob o chão como quem persiste no desejo de voar,
de vencer as leis da física que aprendera e desaprendera no colegial.

A menina corria a favor do vento...
Em direção ao mar.
Corria para o seu submundo poético que a fazia ver a vida
preta e branca em infinitas cores. E as cores tinham cheiro.
Cheiro de jasmim. Gosto de sorriso de avó.
E as cores formavam o rosto dele.
E ela o tocava.
E suas mãos se lambuzavam
de cor,
jasmim
e sorriso.

A menina corria para o mundo em que as coisas invisíveis
são sentidas e não precisam ser vistas para se crer que elas ali estão.
Ela corria para um mundo só dela.
Um autismo lírico que a fazia subjugar as constantes decepções cotidianas
e mergulhar num mar onde o Amor não é distante,
onde o espelho não é o inimigo,
onde o seu coração parece
pulsar entre as mãos de alguém que parece ser muito
mais ela do que ela mesma.

E a menina coria,
corria,
e não se cansava de correr.


(presente de Dona, uma amiga querida)


*

2 comentários:

a primeira estrela disse...

pequena sonhadora!
que texto fofinho,espero que a menina que corre tanto,talvez com medo,ou não sei o que,consiga um dia encontrar as franjas do mar =)
beijo

Priscilla Diogo disse...

Q lindo isso!
Adorei!
Combina comigo!rs

"Corria para o seu submundo poético que a fazia ver a vida
preta e branca em infinitas cores."

Perfeito!

bjos