segunda-feira, 23 de março de 2009

ROMANCE

Romance é o nome do filme. Lindo roteiro de Guel Arraes, produzido pela toda poderosa Paula Lavigne e um elenco perfeito. Adoro cinema nacional. Tristão e Isolda e sua interrogação de séculos sobre a impossibilidade do amor recíproco existir, é o argumento perfeito para o desenrolar de um filme sobre o Amor.
Acachapente, um soco no estômago. Faz a alma quase explodir de agonia, acelera todas as inquietações já tão presentes, provoca a ira, a inveja, a dor. Provoca as lágrimas, a esperança, alguma crença.
O Amor acontece, creio eu, em todas as direções, mas a predisposição para viver um amor e sua dor, é coisa para poucos. A máxima de Tristão e Isolda "quanto mais longe estás, mais te desejo", foi tão fundo na veia, que inspirou Shakespeare,uma sucessão de autores até hoje. Por acaso que não foi. Basicamente, sentir amor estaria ligado a ideia de sua impossibilidade. Algo como se a negação do Amor, fosse um gesto maior de amor, com intuito de preservá-lo. Então o anseio, a inconformidade de não poder vivê-lo, a ausência do amado faria o amor desdobrar-se em dor e viver. Parece doentio, altamente doentio na verdade, mas senão vejamos:
_ cadê o grande amor da sua vida? Está ao seu lado?...
Ou então, por que a repetitiva rotina de uma paixão acontecer, os amantes enlouquecerem de amor, e aí, passado o período de descobertas e acelerações químicas, os desencontros passarem a ocupar o lugar do desejo de estar junto, da fome, da sede, a rotina trazer consigo o tédio, as mil qualidades de antes serem substituídas por olhos críticos e anuladores, e a sucessão de provas de desamor darem um fim ao que seria o imorredouro amor?...
Tristão e Isolda perpetuaram seu amor na impossibilidade de viverem esse amor. Os furtivos encontros, os secretos momentos, os alimentava, mas de igual forma, os levava ao desespero de querer viver um amor e não podê-lo. O desespero do Amor e a morte. Será que no paraíso seríamos abençoados e libertos da maldição de não podermos viver infinitamente um amor, reciprocamente?...
Bem, no filme a condução é outra. E por isso mesmo, dói um cadinho a mais.
Os amantes vencem a maldição. Insistem, se aventuram, toleram, suportam, e em seus sucessivos gestos de amor ao amor que sentem, eles conseguem. ELES CONSEGUEM!
É lindo de ver, lembrou-me até uma fantasia de outrora, de filmes e livros e uma casa de vidro e amor e arte. Ela, sua atriz, ele, seu diretor, vivendo ambos de arte e de amor, fecham o filme com alguma realidade. Dois seres humanos bonitos, que aceitam a transformação do Amor em algo mais lento e mais sutil, e nessa entrega, e até nas individualidades, formam um par.
O filme termina com aplausos, aplausos que se estendem aos fazedores de arte, a boa arte, que nos faz sonhar e acreditar, aplausos a ideia de que o Amor é possível, e que se não foi desta vez, haverá de ser em alguma outra vez, aplausos para todos nós, viajantes em busca do amor, e aplausos ao amor mais amoroso, essa benção ou maldição dos Deuses, que devem adorar assistir do alto dos seus Olimpos, a nossa doce agonia de todo dia, que é o Amar.


Assista o filme,
leia o livro,
e ame o seu amor,
seja ele quem for.


*

Um comentário:

It's not the queen. disse...

hey, lady! me apaixonei por isto, por tudo, por escritos únicos. Parabéns pelo lindo blog, visitarei mais vezes e, logo que tirar as aranhas do meu, linkarei. Beijos