sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Refulgência Afrodisíaca

Passei num sebo dia desses. Comprei dois títulos, "Filha da Fortuna", de Isabel Allende, e "Uma Vida Inventada", da surpreendente Maitê Proença. Eu prefiro a delícia dos livros novos, ser a primeira a inaugurar suas páginas, possessiva que sou, ser a única dona, mas os Usados, aqueles livros que nos escolhem em meio a tantos livros que carregam almas, vêm com um significado extra que nenhum livro novo oferece. Optei pelo "Uma Vida Inventada" para zanzar. Não botei muita fé no livro, fui folheando ao "Deus dará", como faço antes de mergulhar verdadeiramente, um flerte pra me ver conquistada ou não. Lá pelas tantas percebi que o livro merecia ser lido como se deve. Bloco de anotações ao lado, lápis bem apontados, e a cerimônia do encontro. O livro é uma dádiva que a escritora oferece generosamente. São muitos os trechos que merecem citação, muitos mesmo, Maitê Proença escreve visceralmente, e eu amo seres viscerais, que rasgam seus interiores sem nenhum pudor, com grande prazer. Mas o trecho que vou postar aqui, nem é de tanta relevância de forma e conteúdo, é algo até bem prosaico, mas me fez suspirar pela sutileza contida na cena. É da casa dos imaginativos, a quem admiro, sobremaneira. E é da casa dos prazeres, que inicia-se na casa das particularidades, e que exige muita vocação para tal. Senhoras e senhores, sem mais delongas, o texto:
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"Lembro-me bem daquela vez. Eu era muito jovem. Havia um rapaz por quem nutria uma paixão escondida e atordoante, de passar horas sonhando romantismos. Um dia, ele me convidou para ir ao cinema. Estávamos ali, lado a lado sem encostar, fingindo que assistíamos ao filme, a sala escura, um frisson danado, e ele me pega a mão. Quase tive um treco, mas segurei a onda. Quando achei que estava de novo no comando do meu corpo, ele encostou minha mão na boca e começou a lamber os nós dos meus dedos bem devagar, um a um. Aquilo foi me dando um desnorteio, passou-me um furacão por dentro, um maremoto, e para meu espanto, antes de chegarmos ao indicador, eu havia explodido em êxtase. O impacto daquilo foi assustador."
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Por que a foto do Jonnhy Depp em "Dom Juan de Marco"? Simples. Nesse filme, tem uma cena muito semelhante, e porque Dom Juan , o do filme pelo menos, também sabia muito das coisas.
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2 comentários:

Dani Cabrera disse...

Siiiiim Bezinha!!!
E eu lembro muito bem dessa cena! rs
Inclusive estava assistindo esses dias mesmo, acho o máximo!

Fora que o Deep é o que há!


Beijinhos Bê.

Flor de Bela Alma disse...

Que menina mais linda e intensa....amei querida!