quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

São coisas que não se esquece.

Hoje é um dia de lembranças. Quando chegava o dia trinta de Dezembro, vó Ju chamava todos os netos para contar moedas. É que ao longo de todo ano, ela guardava em uma lata, moedas e trocos para, no dia trinta, contarmos e sairmos para comprar fogos de artifício. Vovó era fogueteira. Ela comprava bombinhas pra gente, foguetes para vovô e baterias de fogos para ela armar junto com tio Renato, que era outro fogueteiro. E assim íamos, juntando fogos, gostosuras e um bem querer imenso para receber o novo ano que chegava. Depois da virada, havia algo que os antigos nos ensinaram e fazíamos igual. Pedir "bons anos". Era demais, esperávamos o Ano Novo quase que com a mesma euforia que o Natal, e os adultos, sempre generosos, tinham muitas moedas à nossa espera quando gritávamos "Bonzano!". Vó Ju, era filha da nona Luiza, que teve oito filhas. Isso mesmo, oito. Era uma tribo de mulheres, e como sempre ocorre quando junta-se muitas mulheres, haviam os rituais. Nona Julia dizia que na véspera de um novo ano, é sempre probido chorar, dizia que o dia 31 era dia de se fazer "ação de Graças". Então, ela e suas oito meninas, saiam de manhã, vestidas de branco com flores nos cabelos, levando com elas pacotinhos de doces que elas mesmas faziam, para oferecer às pessoas das redondezas como agradecimento por toda a companhia e acolhida que tiveram ao longo do ano. Eram geléias, bolachinhas, pão de mel, cocadinhas, tudo que elas mesmas faziam, já após o Natal, com imenso prazer. Depois, quando à todos já tinham agradecido, seguiam até o riozinho que tinha ali perto, para tomar banho de descarrego, deixando nas águas correntes do rio, as tristezas , as dores e tudo que não fora bom, e limpando-se para a chegada do ano bom. O nono, marido da Nona Julia, era também gaiteiro. Então, no galpão da casa deles era a festa. Animados pelos acordes do Nono, todos dançavam porquê acreditavam na força que tem um corpo em expressão. Gente doida. Adoráveis demais. O tempo vai passando, alguns costumes modificam-se, mas continuamos unidos e com esses preceitos de gratidão e plantio de energias boas arraigados em nós. Hoje mesmo, nos encontramos todos. Os que estão por aqui ainda, na terra. Os descendentes . Combinamos sobre os fogos, as comidas, as músicas. Fizemos doces que iremos oferecer aos nossos mais próximos amanhã. Lavaremos nossas feridas nas águas do chuveiro, mas as orações e as pétalas de rosas brancas serão as mesmas. E à noite, quando o Ano Novo chegar, estaremos abraçados, unidos em coração com todos os que amamos e em corrente com toda a gente que como a gente, só quer um novo ano abençoado, cheio de paz, saúde e Amor.



Uma linda noite de chegada para todos!





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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

2010 de muitas cores à todos!











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"Socorro alguém me dê um coração, que esse já não bate nem apanha..."

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... e a vida segue
mesmo quando nada parece fazer sentido.

Só mesmo a grande bola verde e azul tão bela
chamada TERRA, para dar algum movimento
à uma alma cheia de dor, descrente e cansada
das coisas de ser gente.



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domingo, 27 de dezembro de 2009

EU, às vezes.

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OBJETO
VOADOR
NÃO
IDENTIFICADO

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[ou quase sempre!]

sábado, 26 de dezembro de 2009

PRA VOCÊ

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Hoje sentei frente à minha velha janela e lembrei de todo bem que você me faz. Mas fiquei ali, imóvel, sem saber oque fazer. Mandei uns sinais pelo vento, de todo coração, de olhos fechados e rezando para que você receba. Construir um castelo junto, não é coisa pouca. Só que não consigo sustentar sozinha. Volta pra cá, você vai se machucar brincando com serpentes, o você que eu conheço não faz sentido longe daqui, muito menos sentido faz, aventurando-se em terrenos escorregadios e traiçoeiros. Quem sou para dizer isso? Sou aquela que você faz sorrir, mesmo quando isso parece impossível.

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[quem vai tocar essa música no castelo, agora?]
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal, AMOR!

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Enquanto isso,
num lugar bem distante daqui,
onde não é céu, nem terra,

eles eram
um para o outro,
presente, luz, árvore, vida, Natal.

Chamavam à isso, AMOR.


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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Criança em Espírito

Escapam-me as palavras. Penso e penso, procuro no fundo de minha alma alguma inspiração, mas só encontro vazios amargos. Gosto tanto de escrever, acanhadamente que seja, mas aprecio o ato em si, pensar e transformar cada palavra em elo, e com outro elo, ir formando o amarelo... Mas falta. Li em algum canto especial que nada pode arrancar da gente oquê nos é próprio. Sentimentos, valores, expressões. Talvez. Mas certos acontecimentos mexem, né? Dão uma abaladinha na estrutura, ainda que a tendência seja a escolha pelo sorriso e o calor, não é possível ignorar a dor que as decepções podem nos causar. Amamos as pessoas. Não falo só de romance. Falo em confiaça em geral. Sei que amor não espera nada em troca, mas pra falar a verdade, acho isso mentira. Ninguém em sã consciência ama, e não espera ser amado. Você dá o seu melhor e quer ser amado, você não espera dor como resposta ao seu carinho. É só isso. Não são coisas. É só afeto. Vem de dentro e é inesgotável. Ou deveria ser. Mas enfim, acho que derruba, e eu estou, por assim dizer, derrubada.

Mas aí, o lance é que é Natal e eu tenho alma de criança. Eu acredito no Menino Jesus, acredito nas lendas, nos milagres desse dia, meu coração não aguenta ficar triste nesta data especial. Especial, não pela loucura das festas e presentes e tal, mas pelo espírito que se espalha e se derrama por todos, por maior que seja a resistência.

Então, porquê é Natal e porquê esse espaço aqui é um presente diário para mim, com todos os queridos que seguem e leêm com tanto carinho, vou me permitir ser feliz, vou levantar a cabeça e abraçar minha criança que crê, mesmo e apesar de tudo, e mergulhar na magia natalina fazendo um ou outro pedido bem especial ao bom velhinho, e deixando um grande e forte

FELIZ NATAL,
à todos!

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

dois mil e sóis


Mesmo sendo só uma troca de meras datas de calendário, é irresistível a ideia de se entregar à doce sensação de crença e esperança e fé que a data acena. Acenos de cor, de luz, de renovação. Não sou de ficar pensando no futuro, nem mesmo o futuro mais próximo, mas dois mil e dez soa tão bem aos meus ouvidos. Se eu fechar os olhos e tentar imaginá-lo, vejo-o como um ano de muitas cores, todas intensas, deixando a palidez dos desamores e desacordos todos para trás. Uma ano solar. Um ano amoroso. Um ano de sorrisos e flores e doces e mais e mais e mais. Oxalá!
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domingo, 20 de dezembro de 2009

Leminski

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CONFIRA
TUDO QUE
RESPIRA
CONSPIRA

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sábado, 19 de dezembro de 2009

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O barulho


Os últimos dias de Dezembro são sempre iguais. O relógio parece andar ainda mais rápido, todos a espreitar o coitado. Tudo parece urgente. Todos correm, e o barulho das ruas e das gentes beira o absurdo. Festas, viagens, planos, promessas, revisões de atitudes. As pessoas acreditam mesmo que algo vai mudar só porquê muda uma data? Olho o relógio lá, e o vejo pensando, _ gente, tudo bem, dá tempo, vou continuar o mesmo, haverão horas e muitas, nada está acabando, calma, calminha...Por que estão todos com tanta pressa? Para se livrar do ano logo, e junto com essa passagem, acreditar que para trás ficarão todas as decepções que são tantas, e que tanto doem?, é... faz sentido mesmo. A sensação que tenho é que é disso que se trata; sumir com oquê não deu certo. Sumir com as dores. Desejar a alegria. A renovação. Pois é. Tem gente que fica alegre nessas datas, mergulha nessa possibilidade. Faz-me lembrar da Curva de Gauss, probabilidades de erros. De acertos... Quanto a mim, fico especialmente não alegre. Essa exigência de que sorrisos estejam mais abertos do que nunca, felicitações multiplicadas causam-me tantas interrogações...prefiro olhar os dias como meros dias e pronto.

Ontem, dois fatos me chamaram a atenção. Um, foi com um amigo e penso que não adianta remoer, nem ruminar porquê, via de regra, decepções acontecerão e muitas, e infelizmente já deixaram de ser novidade faz tempo. O fato foi esse. Aceitar, simplesmente. Poderia embarcar na viagem da meaculpa, e analisar meu próprio comportamento, mas sabe, prefiro esquecer, e nessas horas, penso apenas que é bom mesmo que ano acabe logo. LOGO. O outro, foi com minha sobrinha, Belinha. Encontrei com ela rapidinho ontem. Ela tem olhos imensos, é quieta e apaixonante. Tem dois aninhos. Não disse nada, só ficou passando a mãozinha nos meus cabelos, bem devargar, todo delicada como só ela sabe ser, enquanto eu falava com meu irmão. Cinco minutinhos que gostaria que durassem pra sempre, o toque das maõzinhas tão puras de Isabela nos meus cabelos é que me faz estar aqui hoje, e acreditar. Sabe, quanto mais eu vivo, mais me vem a certeza que as horas, os anos, a vida, só valem pelos momentos e pessoas que são do nosso coração verdadeiramente, pessoas que nada nos tiram, só acrescentam. São o puro amor. Se tem alguma coisa que comecei a aprender em 2009, foi isso, o importante é ficar perto dos seus. É isso. Hora de me arrumar que hoje tem mais uma festinha de amigo secreto, e o pobre do reloginho me avisa que estou atrasada. Beijos.


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Falaram sobre MERGULHO. Um mergulho de olhos bem fechados.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sonhar pode, né?

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Tive um sonho lindo na noite que passou. Um sonho em tons de azul. A tarde era azul, o moço era azul e até eu mesma estava lá, toda azul. Havia uma atmosfera de calma e suavidade. Não aconteceu nada de muito especial na verdade, exceto o fato de estarmos os dois lá, juntos, com uma coisa muito parecida com o AMOR pelo ar. O mais interessante no entanto, é que sabíamos que estávamos dentro de um sonho. Um dizia ao outro que queria uma noite eterna para o sonho não acabar. Aí, o moço azul disse pra mim no sonho:_ Não se preocupe , amor, a gente já sabe o caminho, é só fechar os olhos, e falar seu nome baixinho até dormir. Eu sempre estarei aqui, a te esperar. Então eu disse:_ seu nome também é a última palavra que lembro antes de adormecer. Estava combinada a nossa senha secreta para entrarmos no nosso lugar. Sorrimos longamente.
Aí acordei, e tive um dia feliz. Não sei por que, mas creio que os anjos existem mesmo, e um deles me visita em sonhos e me faz sorrir. Sorrir um sorriso azul sem fim.


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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Felicidade é bolo fresquinho

Bom mesmo é ficar em casa. Arrumar a bagunça. Ficar de pijama, cabelos presos, chinelo no pé. Abrir as janelas, mas deixar as cortinas fechadas, por precaução. Fazer um bolo. De fubá. Untar a forma com óleo, fubá e açúcar, pra ficar com a casquinha bem crocante e docinha. Fazer um café fresquinho, e posto que o cheirinho se espalha pelo ar, bolo e café, chegam as vizinhas, dizendo _ ò de casa, vamos prosear tomando café junto?... Uma traz bolinho de chuva. Regado de açúcar e canela. Outra traz pãezinhos fresquinhos, manteiga e geléia de abacaxi. E a outra vem correndo gritando _ gente, tô trazendo bomba! De chocolate?, todo mundo pergunta. Não, ela diz. Uma notícia que é uma bomba. Fechou. Doces, amizades e notícias fresquinhas, e faz-se uma tarde perfeita. A bomba? _ ah, sim! ela contando que ele ligou. É prosa pra tarde toda, então, o jeito é passar mais café. Minha visão de paraíso para o dia de hoje. Fim.

[paz aos corações]

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domingo, 13 de dezembro de 2009


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LAÇOS E LUZES
ABRACEM A SEMANA!
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Quando a canção diz

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MAS NADA VAI CONSEGUIR MUDAR
oque ficou,

quando penso em algúem,
só penso em você
e aí, então, estamos bem

mesmo com tantos motivos
pra deixar tudo como está,
nem desistir nem tentar
agora tanto faz,
estamos indo de volta pra casa.

[Dele]

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http://www.youtube.com/watch?v=VEPjOB5MCA4

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Dias de Um Certo Dezembro







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"No entanto, para dizer a verdade, hoje em dia
a razão e o Amor quase não andam juntos."

_ William Shakespeare, Sonho de Uma Noite de Verão
Ato III, Cena I

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Passavam-se dias e noites,
e na sucessão de suas trocas
de tantas interioridades, na CIRANDA
de seus afetos oferecidos e recebidos
graciosamente, intensamente,
[ou até equivocamente]

a VIDA fazia-se passar por ela como
o mais lindo dos arco-íris,
visto bem dali,
do lado doce da sua janela.

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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

As chaves

Mas Amor, Amor mesmo, aquele de entregar as chaves do coração, da alma e da porta de entrada para o céu, Amor que a gente mostra os poemas da vida e sabe que só terá acolhida, mostra as feridas e sabe que serão cuidadas, mostra os erros e recebe aquele sorriso gigante e cheio de compreensão, mostra toda a nudez possível para ser coberta com um manto de carinho e proteção, esse Amor, esse Amor não se acha em romances. E tem sorte quem sabe onde encontrar. São os anjos na nossa vida, estão ao nosso lado sempre, e nada nem ninguém justifica o risco de perdê-los.

Romances são folhas em árvores de verão. Lindas folhas à balançar ao sabor da brisa quente que embala noites e dias de sol e de lua, mas que finda a temporada, precisa seguir viagem para o outono da vida, e suportar o inverno das distâncias e saudades, e ressurgir nas Primaveras para arder de novo e de novo a cada verão, enquanto folha for. O resto é trabalho para os anjos. Ouvir, abraçar, acarinhar, curar, passear, mimar, DAR IMPORTÂNCIA, verbos tão seus.


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domingo, 6 de dezembro de 2009

LUCIDEZ

Como eu fui parar no meio dessa história? Como se formam os contextos é um grande mistério. Uma coisa puxa outra coisa, um detalhe, e toda a coisa muda de figura. Figuras sucessivas, cenas repetidas, fantasmas que resolvem aparecer, em carne e osso e intenção. O Bem e o Mal a nos espreitar sempre. Faces de uma mesma moeda? O áspero da vida sempre me apavorou. Fujo das situações com todos os pés para trás. Não quero mudança, não quero novidades, não quero nada. Quero apenas que esse fantasma estranho que me ronda me deixe em paz. Em paz com o que amo verdadeiramente. Meu cotidiano, minha família, meu café na janela de noite, ver tv e ler e falar ao telefone e apertar os pés na minha pantufa roxinha, e pensar que gostoso é o meu pequeno mundo. Não quero ampliá-lo, não quero. Quero minhas conversas delicadas e sem pretensões com os amigos que sinto confiança, com as meninas que são minhas queridas, e manter-me finalmente lúcida a ponto de dizer que quero o que eu tenho e nada além disso.

Interessante como alguns dias apenas se passaram, e tanta coisa mudou. Eu que era a Maria dos quereres, agora, só quero o sossego de nada querer...

"E NO FIM VOCÊ VAI ENTENDER QUE NUM MINUTO PODEM HAVER DIAS."

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Mosaico de Amor
























Quero uma casa no campo,
Quero um quarto de amor,
Quero só andar de bicicleta
Quero piquinique à sós,
Quero um homem colorido
Quero pernas pro ar,
Quero mais um monte de coisas
mas essas, não preciso levar.


ATRÁS DE SEGREDOS, SEMPRE EXISTEM SONHOS.

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sábado, 28 de novembro de 2009

Do Poeta

(...) resta esse constante esforço
Para caminhar dentro do LABIRINTO
Esse eterno levantar-se depois
De cada queda,
Essa busca de equilíbrio no fio
Da navalha,
Essa terrível coragem diante do
Grande medo,
E esse medo infantil
De ter PEQUENAS CORAGENS.


_ Vinicius de Moraes

Um poema

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O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...


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_ dele, Fernando, o Pessoa.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Só pra constar: estou feliz

Ai, Meu Deus! estou com tanta coisa boa dentro do peito que tenho até medo de me mexer ou pensar ou piscar ou sei lá, e deixar escapar essa fina sintonia que faz música em meus ouvidos dizendo que sim sim sim, não são só sinais, não é delírio de uma mente que não pára, não é sonho, é hora de parar de falar, de correr pra janela, esperar o desfile das primeiras estrelas e suspirar devagarzinho pra nada disso me escapar. É hora de cuidar de ser feliz!

[meu coração tá palpitando tanto que até parece que vou te ver na próxima esquina]


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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Das Janelas

Acorda, respira, sorri, abre bem abertas as suas janelas, e nelas deposita o seu melhor, o seu simples, o seu simplório, o seu sorriso, a sua esperança, as suas graças, o seu desajeito, a sua ingenuidade, a sua imaturidade, a sua alegria, a sua criança, que chama sem pudores á todos que vê passar:

_ Ei, VOCÊ!, chega aí, vem passar umas horinhas,
[ minutinhos que sejam ]
bem leves comigo, VEM!


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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

QUASE

Uma música. E de repente, seu coração acalmou. Havia a música. E havia sua própria alma. Sua própria busca. Seus próprios elos com o Universo. Os elos que não podem ser roubados. E ainda haviam todos os vestidos floridos para os dias de sol de verão. E havia o sol. Imenso e disponível para ela também. Não podiam roubar-lhe a luz do sol. Nem os supiros que a grande lua desperta. Nem as estrelas que se movem e sussurram: _ ei, relaxa, tudo está no seu devido lugar. Havia a cama macia de todos os dias. E o sono gostoso, mesmo com visitas de pesadelos. Havia a meia noite. Todo dia. E a magia dessa hora que era dela. Não dele. Era dela e de quem adentrasse a porta. Que era dela. Havia a praia e suas águas quentes esperando por ela. Por todos, mas por ela também. E haviam ainda sorrisos. Os dela. Os do seu Joaquim da padaria. Os do mocinho de camiseta vermelha do restaurante. Das meninas amigas irmãs. Dos chegados de todo dia. Do menino bo_ bo, que ainda vem aqui e com isso, e mesmo sem saber os seus porquês, faz o meu coração sorrir. E tem o coração. O respirar. O entardecer. O amanhecer. Meu Deus!...tem tantas coisas lindas e eu aqui, me lamentando por causa de uma brincadeira de mau gosto?!..._ Tô fora, perdão, Vida!, mas acordei a tempo, voltei á tona, e disposta de novo. E quantas vezes for preciso. Agora e sempre, Amém!


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terça-feira, 24 de novembro de 2009


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EM REFORMA
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Lenda Urbana

Eu sei que era você naquela esquina. Naquela quase madrugada que não estava fria. Pensei em ir até você. Perguntar todas aquelas perguntas que você nunca vai responder. Mas tive medo. Seus olhos me faziam em pedaços, tive medo que suas mãos também o fizessem. Enquanto te olhava sentia meu estômago em chamas, senti desespero ao te ver ali, desapegado de tudo, querendo que eu o visse, e sentisse a tua dor. A dor que você quer sentir. E me causar. Teus olhos pareciam relâmpagos em noite de tempestade. Por que me olhavas daquela forma? Eu não podia fazer nada. Eu não posso fazer nada. E estou cansada. Quase morri do coração quando você veio em minha direção. A sua expressão mudou. Indecifrável, como sempre. Nunca saberei se vinhas me matar, me abraçar ou me levar embora contigo. Pra sempre. Pra sempre. Precisei partir. Nossas horas não são as mesmas. Você burla a sintonia da vida só para me enlouquecer. Para onde você voltou depois daqueles minutos naquela esquina naquele intervalo de existência? Como você faz isso? Você deve estar rindo, agora. Rindo da insanidade que és capaz de causar. Tua obsessão é contagiante. Mas vou te contar um segredo. Deve ter amor nisso. Você fazer oquê você faz só faz sentido no ódio. E ódio, só faz sentido no Amor. Teus olhos traziam um pedido de socorro. Você não pode controlar tudo. Saiba que eu te vi, e trago-te pra perto, mesmo com teus jogos, mesmo com tua loucura, mesmo com tua maldade, porquê o que SÓ eu vejo em você, é tudo oque você mais sonha em ser. E ter. E permanacer. Nós dois sabemos disso.


domingo, 22 de novembro de 2009

sábado, 21 de novembro de 2009

SE




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Se um dia me quiseres,
[mesmo, mesmo, mesmo]
te darei
o mapa dos pomares.
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

DAS APOSTAS

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Aposto
que ninguém te imagina mais lindo,
do que eu te imagina ao meu lado.

[nem mais feliz]


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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Dilema

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Estou no começo do meu desespero,
E só vejo dois caminhos:
Ou viro doida ou santa.

De que modo vou abrir a janela
se não for doida?
Como fecharei, se não for santa?


[Adélia Prado]


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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O VENTO E A FLOR



















Não que eles fossem especialmente diferentes, embora, de fato, fossem. Ela mais lembrava uma camponesa de algum campo florido da Provence, imensamente livre de conceitos, mas portadora de tão poucas malícias para os dias atuais... Tinha dentro dela espaços reservados apenas ao que era leve e belo, como suas flores ou suas águas, e suas contas e suas miçangas e seus balangandãs de palavras bobas. Ele, por sua vez, era um selvagem. Se ela era livre, ele era o vento. Um viajante do tempo que se encaixaria em qualquer século das existências. Sua alma a ninguém pertencia, era resistente ao Amor, mas perguntava-se : _ seria capaz de resistir para sempre? NÃO. Souberam-se, e desde então, pertenciam-se. O paradoxo do impossível. Sem elos, nem amarras. Ele a levava em suas andanças, enquanto ela, o retinha em seus livres verdes campos. Pertenciam-se espiritualmente. Mundos distantes. Essências opostas. Antagonistas na vida. Amores de morte. O tempo teria que parar por instantes para estarem juntos, então, não poderiam se encontrar em um lugar comum. Não eles. Seria uma única vez. Precisavam de uma luz cuidadosa, que os protegesse um do outro, que iluminasse a única coisa que tinham em comum: o Amor, o desejo de serem um, o outro. SEREM UM. Precisavam que ninguém houvesse por perto, apenas olhos e ouvidos angelicais os espiassem, nenhum vestígio humano, além deles mesmos. Precisavam de um lugar mágico, marcado como portal, pois se quisessem, poderiam abrir mão da vida. Poderiam optar por partirem juntos. Como almas. Como Romeu e Julieta. E pagariam, como já pagavam, por não saberem como resistirem-se. Poderiam ficar e aceitar. Cumpririam seus carmas separados, na esperança de encontrarem uma possibilidade. Improvável possibilidade. O vento e a flor. Um distruiria o outro. O vento veloz quando parado, não existe. A flor, ao sabor daquele vento inquieto, despedaçaria-se. Aqueles instantes juntos seria a exceção concedida pelo Senhor do Amor, condoído com aquela paixão irrealizável.

Então, a terra girou mais lenta naquela tarde. Ninguém notou, mas foram acrescentados muitos minutos a mais àquele dia. Os minutos deles, para a tarde eterna deles. Notou-se na terra apenas uma brisa mais leve, uma calmaria estranha, as falas tão mais baixas, fora do habitual, e um eco de beijos e suspiros, e uma luz dourada que fazia aquele pôr do sol, ter o dourado mais incrível que se vira. E aquele perfume de azaléias.

[ como a pequena Azaleia branquinha que você deixou no meu portão hoje. Foi você, não foi?]

Pássaros cantaram mais lindo do que nunca, e as borboletas surgiram tantas, em tantas cores, e tudo pareceu tão mais intenso e lento naquele dia... Houveram mais beijos e mais abraços no mundo. Mais sorrisos, mais afetos. Mais calma. O mundo teve um dia mais lindo, que é o que sempre acontece quando algum milagre de Amor é permitido. Há que se prestar atenção aos dias... e as noites...
O vento e a flor? O que teriam decidido? Teriam arriscado, e ultrapassado o portal? Separaram-se, ou teriam achado maneira de convencer o super rígido senhor do Amor a liberá-los do carma?
_ Não sei. Mas sopram-me aos ouvidos uns anjos safados, que foi uma linda tarde Amor. A tarde de Amor do Vento e da Flor.