domingo, 31 de agosto de 2008

Colher de Chá

Ando querendo, solicitando na verdade, uma audiência com a Dona Vida. O pedido: uma colherzinha de chá. Colherzinha, não. Uma boa colherada de chá. Uma folga, um recreio, uma lógica pra seguir, uma carinho, um algodão doce bem grandão. Não, a vida não é ruim comigo. Muito pelo contrário. Eu é que estou cansada. Cansada de ter que ser o que a gente tem que ser para viver por aí. E por aqui. E por todo lado. Na verdade, queria que a Vida desse uma colher de chá pra todo mundo à minha volta. Seríamos assim, um monte de gente de folga. Folga de intelectualidades refinadas, de posturas adequadas, de superficialismos existenciais, de joguetes, de maldade, de afetos artificiais, de tantas palavras que não dizem nada. Ás vezes penso _Caraca, será que estou só nessa ânsia por uma convivência mais simples, com mais risadas, com mais palavras soltas, com mais aceitação, com mais to-le-rân-cia, com mais abraços apertados e demorados, com mais portas abertas, com mais "eu adoro você", com mais tempo para simplicidade?...Devo estar sendo redundante, eu sei. Deve ser esse inconformismo que me ronda e não permite a devida adaptação. Por mim, a Dona Vida sairia distribuindo colheres e mais colheres de chá pra todo mundo, uma chazinho que acrescentasse mais sorrisos, mais encontros e mais delírios por esse mundo que anda , por vezes, tão chatinho. _Ah, Dona Vida, help me, please!
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sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Alô... alguém me viu por aí?


Eu rio, e eu sei que a vida é bela. Eu também sei que as coisas mais simples são as que regem o nosso mundo. Mas acontece, que existe um tristeza, um risco no peito que não me é permitido mencionar. Uma ausência, que eu sei que não é falta, é medo, é solidão.
É um sonho perdido frente às multidões.

Coitadas das minhas estrelas,
há tempos não vêem um só brilho em meu olhar!

(A.E. Calistro)

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Como são parecidas as emoções.
Somos todos, pobres crianças perdidas
nesse mundo sem sentido e sem manual de instrução.

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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Cinco Horas.

Estava pensando em algo que me passasse a sensação de conforto. Buscando em minha mente algum lugar pra colocar minha Alma pra descansar. Um lugar onde os pensamentos se acalmassem e desfrutassem apenas de uma sensação agradável de bem-estar. Fui buscando em meus registros, pra lá pra cá, inevitavelmente esbarrando em delírios românticos, tipo uma praia linda em companhia daquele "cachorro" que não fale um níquel furado. Angustiante. Andei vasculhando espaços mais animados, bares e gente barulhenta, flertes abrindo possibilidades de mais romance. Parando, em seguida. Nada disso é confortável. Preciso apenas de uma sensação branca, branda, selenciosa. Nossa! será que passei a achar o Amor e as paixonites uma coisa infernal? Não sei, mas continuando minha busca interior por um lugar onde possa largar minha Alma agitada, constato que tudo que vivo, vivemos, não é de fato tranquilo. São lembranças caras e queridas, mas conturbadas demais pra voltar lá e visitar. Epa! mas tem uma sensação boa chegando. Quando vou indo mais pra perto das coisas conhecidas de tempos, uma tarde na casa da minha vó, aquele chá animado com as meninas, o domingo na chácara com meu Pai. Meu coração desaperta. Lugar bom esse. Suspiro de alívio por constatar que sou capaz de admitir que as paixões já não são mais tão importantes e vitais. Que vital mesmo, é uma paz que só o conforto das coisas conhecidas é capaz de oferecer. São cinco horas e é bem capaz de ter bolo fresco na minha vó. Vou pra lá, esse sim, um lugar pra lá de confortável. Tanto para o corpo quanto pra minha Alma esquisita.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Por dentro com
A Alma atarantada,
Sou uma criança
Não entendo nada.

Coisas Lindas

O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...

[Fernando Pessoa]


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sábado, 9 de agosto de 2008



As coisas simples são tão mais cativantes.

uma noite bonita. uma lua. uma rua bucólica. uma calçada convidativa. uma noite.
um sorriso. dois sorrisos. uma conversa. uma boa conversa. mais sorrisos. fim.

A vida pode ser boa.

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fotografia: Cartier-Bresson

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Idéia Miúda


Adoro a idéia de Infinito.
Mesmo com os riscos,
com as adjacências que igualmente se perpetuam.
Pensar no Infinito é um troço inquietante. Se de fato, tudo é Infinito, deveríamos fazer conexões mentais mais inteligentes, não? Ligação com o que queremos como Infinito em nossa Vida.
Mais Alegria, por exemplo.
Mais Amor, mais parceria.
Tem alguma coisa na Bíblia que fala sobre "vigiarmos", mantermos o candeeiro acesso, pois não sabemos a Hora. A hora?
_ é, a Hora. A Hora de nos esbarrarmos com algo muito bom, e estarmos prontos , atentos, aptos à receber esse algo bom. Ir além de desejar, estar de fato ligado ao fio prata do nosso ideal de existência. Um Amor?... por que não? Uma viagem longa, uma oportunidade excepcional, um chopinho com os melhores amigos, o livro certo, a partida, a chegada. Infinitas são também as Possibilidades. Boas ou não, escolhe-se. Não somos reféns. Prefiro pensar que não.
Além do mais, não é adorável a idéia de que algo maravilhoso está zanzando pelo Infinito pronto para esbarrar com você? Pelo sim, pelo não, vou acender meu candeeiro.
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domingo, 3 de agosto de 2008

E o vento levou...


Tá ventando demais,
teus sinais não chegam.
São tantas poeiras,
mal-faladas-palavras,
que acho que não nos
achamos,
nunca mais!

sábado, 2 de agosto de 2008

Urgentemente

Quanta coisa me falta. Aliás, tudo que mais encanta, me falta. Falta-me uma pitada de tudo que faz a diferença. Falta-me densidade, substância, marca. Tenho demais o que não importa. De menos, o que define. Esse saldo é patético. Preciso ir ás compras!