quinta-feira, 31 de julho de 2008

Meu contrário sou eu mesma.

O que poderia ser considerado o "contrário"?
O contrário de bom é ruim, de belo é feio, de claro é escuro, de verdade é mentira, de tristeza é alegria. Será mesmo? Entre o bom e o ruim, existe que distância? Entre o belo e o feio, quem define absolutamente o que é o que? Como saberíamos a luz se não conhecendo a escuridão? O que é alegre pra mim, é igual pra você? Quem é quem pra atirar a primeira pedra, ou definir verdades absolutas, estabelecer julgamentos, quem dá esse poder a quem?
Pensar em "contrário" me faz pensar inevitavelmente em relatividade. E em conveniências. E em circunstâncias. Somos nossas circunstâncias, e dentro delas agimos. Fico matutando algo que estivesse acima dessa realtividade existencial. Circunstancial.
Nada me ocorre. Quer dizer, algo me ocorre. Faz tempo que não penso nessa palavra, não a ouço também, nem sei se ela existe ainda.
A palavra ? a palavra Compreensão. Que estranha, não? Não parece absolutamente fora de moda? Pra falar sobre o que é contrário a que, a ponte poderia ser essa coisinha besta, a capacidade de compreender o que se passa de forma maior. Compreender que tudo é uma coisa só, que hoje o que julgamos, amanhã pode ser o que nos julga. Compreensão. Gentileza. Sutileza. Delicadeza. Suavidade. Generosidade. Doçura. Leveza. Compreender o outro dessa forma, gentil, sutil, delicada, suave, doce, leve. Isso é tão contrário ao que se vê...
Tanto devaneio na verdade, é uma tentativa de enxergar qual seria o "meu" contrário, uma forma de tentar escapar de meu próprio crivo. Quando alguém diz à você _ até você me provar o contrário- coisas assim passam a ocupar o pensamento. Olhando essa menina voando por seu mundo imaginário, no entanto, não consigo achar um contrário, não consigo. O contrário de uma atitude carinhosa seria o que? uma atitude agressiva? Não, está tudo errado. Vou parar. Pelo menos eu tenho que ser compreensiva comigo, não? Desculpe-me!

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