terça-feira, 1 de julho de 2008

Arquejo

Sentia um arquejo de emoção,
surpreendendo-a.
O passado perderia,
algum dia,
o poder de feri-la?
O tempo parecia
não fazer o seu trabalho
devidamente.

No paralelo do tempo,
no entanto,
eles estavam juntos.
Em uma atmosfera suave
eles tinham, apenas,
consciência de si mesmos.
E de um vazio. E de um vácuo.

De lá, ouvia-se:
_Oh! mon còr,
c'est l'heure.
Sabia dos silêncios,
mas não os entendia.
Precisava de palavras vivas.
Das palavras.
Vivas.

Suspirava.
Então, aspirava
os cheiros delicados da noite.
Ao longe, uma lua tímida
nascia no céu,
com ares de promessa.
Nessa hora ela sorria.

Em algum lugar,
nessa mesma hora,
ele sorria também.

*

2 comentários:

Everaldo Ygor disse...

Olá...
E o arquejo, uma palavra que parece metade, mas na composição desse poema, é grande e cheia de significados... Fazendo brotar do vazio as linhas, as palavras e o som do batimento do coração...
Abraços
Everaldo Ygor
http://outrasandancas.blogspot.com/

O Profeta disse...

Hoje o céu desceu em beijo à terra
Hoje acordei com os sinos a tanger
Um manto de cristal e fino orvalho
Ajudou mais uma flor a nascer

Cada gota prende um suspiro
Descem do celeste em doces canções
A terra prende-me o sonho
Em manto de contradições

Boa semana


Mágico beijo