quinta-feira, 18 de junho de 2015

Instantes Haicai

estrela caindo
rastro azul no céu
janela do pinel




*************


                                  janela aberta
                             bate asas beija-flor
                                 anúncio de amor


                                      ******************


lá vem o vento
a folha estremece
cair não apetece


***************


                                                 o sonho foi breve
                                          culpa do despertador
                                              que não me esquece


                                   ********************


         pingos na calçada
chuva deixa sombrinha
       mal-humorada


    ****************
       

Pergunta


*



O que será
que se passa
para além
do território
das nossas
tantas
CERTEZAS


[interrogação]






*

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Por um breve ínterim

.

 
 
A verdade é que tudo demora muito. E toda demora, é uma prisão. Nela, você entra, e acha que nunca mais vai embora. Às vezes, fica lá pra sempre. Mesmo que não. Você me ensinou a demora. Você começou isso em mim. Só que eu abri mão das lamúrias, porque mesmo presa nesta demora, a gente se encosta, por dentro. E isso me abre uma porta pro céu. Não perco de vista teus sinais, só que deste lado de cá só há uma alternativa, e ela é prosseguir. Ainda que sem sair do lugar. Todo mundo pergunta por novidades, como se novidades fossem possíveis assim, todo dia... Não rola. Rola coisa boba, e rola de deixar rolar a alegria pelas coisas tolas, tipo aquele chapéu vermelho que eu comprei e nunca usei, mas amei comprar. Eu amo um monte de coisa apesar de... É importante que você saiba que alguns dias até são bons. Muito bons mesmo! Não que a mente se esvazie da ausência tua, é só que ela acostuma, e a gente vai mudando de cara, mudando de jeito, mudando de boniteza, se assusta e depois do susto se acostuma,  e envelhecer passa a ser um pouco mais doce que é pra poder ser apontada como uma boa velhinha mais logo ali, na próxima esquina. Educo meus sentidos para não querer demais. Isso acalma. O tempo tem sido gentil desde que me assentei, desde que aceitei que não serei metade de nada que pensei, desde que abri mão da chateação de te ter passeando e rondando minhas lembranças e  transferi você da mente para o coração. Sem conexão. Porque a terra que forma a mente é feita de memórias, e elas são estranhas, alternam-se conforme o dia, a emoção, a raiva, ou a alegria, enquanto que no coração o domínio extrapola a razão, e nos conecta por mistérios cósmicos. Quem existem. E resistem bem. Deve ser a tal da mente universal que nos permite acessar um fluxo genial, superior, onde a prisão é aberta e a gente pode dar cambalhotas e flutuar e dançar e se reconhecer em beleza, em leveza, ares de plena delicadeza. Meu coração é tua guarida. Há tudo aí dentro para que você passe bem, todos os detalhes da mais pura delícia.
 
Li certo dia algo assim:
"a gente risca e vem o destino e rabisca"
 
Território estranho. parece que é , mas o comando não é nosso. Além das forças já conhecidas, ar, fogo, água, terra, há o Destino, seja lá o traço de quem for, há. Então a gente tem que aprender a  improvisar. Improvisar é uma coisa que a gente tem que fazer todos os dias na vida real, que é pra não perder o sabor, que é pra manter o amor, e afastar toda dor, e continuar. Ainda que pareça estranho. Ainda que pareça insano abrir mão. O que nos resta, senão?... Ainda  que a demora doa, lateje sem ter  fim, ainda que pareça que isso nunca terá fim , e mais  ainda que pareça que você só exista assim, bem cá dentro de mim, e que  palavras tão lentas não revelem nada, dentro deste breve ínterim.
 
 
*

quinta-feira, 4 de junho de 2015

FICA

.

 
 
Quantas vezes a gente já não teve aquela vontade de dizer:
_ FICA
 
fique um pouco mais! Não vá se embora ainda. Tem um milhão de coisas que ainda não foram ditas. Tantas coisas que não foram feitas. Tantos abraços que não foram dados. Tantos instantes que ainda nem foram sonhados, quanto céu estrelado, pra ver assim, bem do seu lado, sob um luar iluminado, tem o outono e o meu cabelo molhado,  o teu cheiro adorado,  e mais esse desejo abestado de querer encompridar as horas, que é pra  ficar bem colado, dentro de um silêncio pronunciado de suspiros, olhando  aquela frase no alambrado do muro  do jardim ao lado, damos aquele olhar alongado, feito o
olhar amedrontado de uma gato escaldado, lembro de você ter perguntado, pra que medo da água fria, dentro desse lago afogueado?, lânguidos e platônicos, somos versos entrecortados, há que se estar conformado, é  até catatônico esse nosso folhetim,  mas oque podemos fazer se ele nasceu assim, começo sem fim?..._ aí de você se partir de mim, sem que eu possa dizer, quantas vezes eu tiver afim, aquela frase do muro ao lado, cê já tá até acostumado, ao meu chamego que diz:
 
_ fica!
não sai de perto de mim!...
 
 
*

quinta-feira, 28 de maio de 2015

àguas de estrela, amor, esparramar

.
 
 
Das coisas mais bonitas dentro da criação, inúmeras elas são. É tanta beleza, mais é tanta beleza, que a gente até se acostuma, e desacostuma de olhar. De prestar atenção e conceder à elas a devida devoção. Distração? Sei que são  tantas belezas, e algumas são de natureza tão maravilhosa, que é preciso falar. EXISTEM OS AVÓS.  Avô. Avó. Tem coisa mais querida na vida do que ter o privilégio de termos nossos avós? Geralmente eles já são velhinhos, mas é tão interessante que apesar disso, olhando dentro daqueles olhinhos, a gente se vê, a gente vê uma alegria que só existe dentro dos olhos deles, uma coisa juvenil, quase infantil, talvez reflexos de uma vida à mil, que vão, tão sábios, se  acostumando à ideia de uma vida nova, que parece, e essa é uma queixa!, que em breve será.  Breve é a vida dos vovozinhos. é fato. Meus queridos, os quatro, e mais meus nonos, todos gente de um bom humor estrondoso, já se foram, sem grandes arroubos, botar seus pezitos inquietos para bailar os salões do céu. Porque vô e vó não morrem, eles simplesmente vão pro céu.  A vó do meu amigo poeta, juntou-se à eles dias desses. 94 pétalas em flor. Rosa branca de amor. Todo dia lá se vai um velhinho, sem que a gente realmente perceba o quanto de beleza arrebata-se para além de nós. Se eu pudesse modificar alguma coisa nas minhas ações de vida seria, ficar mais perto deles. Fiquei perto. Até bem perto. Mas hoje, lembrando daqueles seres tão especiais, penso que podíamos ter tido mais. Eu queria mais. Muito mais. Nenhum amor no mundo todo se compara aqueles olhos em par. Olhos todinhos de amar.
 
Algo, no entanto, fica. Como se fôssemos suas sementes. Sementes de todo amor que eles conseguiram cultivar. Creio que lá de cima, nos regam. Nos regam com águas de estrela, torcendo para que a gente se multiplique, em amores, e continuemos amor, a se esparramar. Amar.
 
 
*

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Como preencher vazios

.





RECEITA PARA PREENCHER VAZIOS




Fazer.



Acontecer.
Tecer os grandes fios da vida,
para florescer.
É só isso.
Construir.
Ir.
Fluir.



[Lianto Segreto]









*

quinta-feira, 14 de maio de 2015

"O verbo tem que pegar delírio"

.
 
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz:
"Eu escuto a cor dos passarinhos".
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é a voz do poeta, que é a voz de fazer
nascimentos_
O verbo tem que pegar delírio.
 
 
[do livro das Ignorãnças, Manoel do Barros]
 
 
 
*

Uma pena da asa do poeta







"Passei anos me procurando
 por lugares nenhuns
Até que não me achei
_ e fui salvo."


do inesquecível Manoel de Barros




*

quarta-feira, 6 de maio de 2015

FELIZ ANIVERSÁRIO, BE!

Existem muitas formas de se presentear uma pessoa, muitos motivos, muitas datas, e às vezes, até, nenhuma data ou motivo comum. Todo mundo gosta de presente. Quem diz que não, acho que mente. Todo mundo é alguém para alguém, e só o bem querer já é um presente. Todo mundo faz aniversário. E lembra da sua criança. De dentro. Porque a gente deixa de ser criança e até esquece que adora um presente. E tem muitos tipo de presentes. Aqueles que a gente compra, escolhe com carinho. E existem presentes que a gente faz. Das mais diversas matérias-primas. Tecidos. Madeira. Perfumes. Palavras. Bem querer.


Sou aniversariante do mês de Maio. Signo de Touro. Super sensível e adoro presente. Ganhei alguns nesta data, mas o mais especial de todos, feito de palavras altamente mágicas, saídas de uma caixa muito especial, me deixaram especialmente feliz, porque além de me terem sido presenteadas por minha irmã de coração, foram feitas artesanalmente para mim, e significaram muitíssimo.


Superlativos são pouco para dizer o quanto significaram. Agradeço demais, querida Vanessa, e as guardo aqui, para que inspirem mais pessoas, e para serem eternizadas como são os nossos laços de amizade.


EIS:


"Be, que a cada ano você tenha mais entusiasmo pela vida.
Sinta-se grande e extremamente positiva.
Muita fé para acreditar na realidade de outras possibilidades.
Esteja em Deus, só assim continuamos eternamente vivos.
Um beijo e todo energia boa para você, que é tão especial
para mim."




Muitos beijos,
e obrigada de coração.


*

sexta-feira, 17 de abril de 2015

A LIGA

.

 
 
COINCIDÊNCIA
é aquele negocio que acontece
pra dar liga,
 
vê se acredita e,
 
 
_ SE LIGA!
 
 
[são zilhões de acontecimentos colidindo simultaneamente no universo em milésimos de segundos, a probabilidade de haver uma coincidência é rara, então, há que se considerar...]
 
 
 
*

quinta-feira, 26 de março de 2015

LOOP

.

 
Não há  salto
sem vertigem.
 
Não há mudança
sem  salto.
 
Não há vida
sem emoção.
 
 
 
revisitar horas. ampliar fontes. abrir. escancarar. proteger. contradizer. insistir.  SER
 
 
 
 
*

quarta-feira, 4 de março de 2015

A palavra que aproxima



PALAVRA

Para o sentido da pele, palavra para virar tato,
pra ter o alcance do abraço,
 
tem que revelar,
tem que desnudar,
tem que ultrapassar
 
artifícios, artimanhas, o orgulho, as  conveniências,
as arrogâncias em suas intermináveis reentrâncias,
 
então ela, a PALAVRA, tem de  ir direto ao ponto,
nada de vírgulas, sem  reticências,
ela tem que propiciar o encontro,
tocar o ponto G do encanto...
 
Uma palavra pra arrepiar a pele
tem que sair de boca úmida,
ver de  pernas bambas, bate bate bate coração,
pudores?, caídos ao chão,
 
PALAVRA
 
tem que ser limpa, leve ou dura,
nua, em pelo, ter soltos seus cabelos,
ao vento, todo o tempo, todo o mundo,
espaço,
palavra pra virar tato
_ TEM QUE SER DITA,
 
gritada  sem medo de queimar a fita,
sem  tratos, sem tretas,
dizer e tocar tem que ser
um combinado
entre o amor e oque é verbalizado,
 
pode dar errado?
claro!,
dizer é arriscado,
pode dar tudo errado,
 
ficar pouco entendido,
mal explicado,
é muito.muito complicado,
 
amor, palavra, poros dilatados,
pelos arrepiados, sentimentos
confrontados,
a viver!, essa armadilha que nos
desafia,
dia.a.dia.todo.santo.dia
 
à palavra certa
está sempre à espera de ser dita,
de ser compreendida e ser capaz
de dizer
de ouvir
de possuir
 
alguma coisa que faça sentido
e aproxime.

A palavra precisa aproximar. Senão, melhor nem ser dita



*
 


sábado, 14 de fevereiro de 2015

Por isso rima!

.
 
 
TEIMOSIA
nada mais é
que
 
um menino
ou
uma menina
 
que insistem
em sua ALEGRIA
 
 
 
*

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Saber é pouco...

.

De
um andar
para
outro
 
tem muito mais
do que a gente
ousa
 
imaginar...
 
 
 
*

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

BEM TE QUER

.

Seja o tempo que for, eu só quero que teu caminho seja bonito. E por bonito, subtenda, completo. Não tente escapar às agruras, às escorregadelas, às ciladas, e não espere que as calçadas estejam sempre sinalizadas indicando o melhor caminho a tomar.
Se fizer sol, é lindo. Mas se fizer chuva, e frio, é bom pra lembrar. Você lembra? Todo mundo tem uma boa lembrança encharcada por um dia de chuva qualquer. E volte a meia tem haver com amor esta lembrança. Você ainda carrega aquela marca de criança? A saudade sempre alcança a gente. Quer a gente queira,  ou não. Então, nem tente escapar às recordações. Nem impedir seu coração de bater mais rápido frente àquela praça, ainda de madrugada quando fez cenário pra nós.
Aceite que a vida é bonita dos dois lados. Ou melhor, por todos os lados. Tudo, e creio que seja estranho, mas absolutamente tudo tem outros lados, somos espelhos quebrados, cacos de histórias infindas, que só fazem continuar e continuar, até o infinito, que nunca finda.
Toda beleza esteja ao alcance das tuas mãos. E daquele teu sorriso contido, vê se alarga este riso, e se diverte mais, se solta mais, e faz coisas loucas, experimenta, saltar de paraquedas, escalar umas montanhas, visitar um observatório, e olhar muito, e muitas vezes pro céu, para a lua que se faz cheia de beijos, e aponta logo uma estrela que é pra dar sorte, sempre, e que sempre será um lugar chamando por nós.
Descubra logo de uma vez por todas que a paixão é efêmera, acaba, se vai, se esvai feito a água daquela chuva que molhou os meus cabelos enquanto você tentava cantar. E dançar. Dance muito, viu? Levante a poeira, mas não passe rasteira nas coisas idas, porque, como diz o poeta, elas serão as mais queridas quando o tempo da neve, o branco tempo chegar.
Insista em querer. Insista em poder. Insista em ser o melhor todo dia, mas entenda de uma vez por todas, melhor é sempre um tempo futuro, e ao futuro só cabe esperar. Deixa pra lá qualquer coisa que te afaste do amor. Mesmo que para isso seja preciso recomeçar, e recomeçar e todo dia é um recomeço, então, só nos resta, dia após dia, RECOMEÇAR.
Torça pelo seu time, grite pela sua banda preferida, defenda as suas convicções, mas nunca perca a capacidade de mudar de ideia, de aceitar novas noções, e de alimentar alguma ilusão, porque tudo passa, só a beleza fica, escondida cá mais para dentro, e eu ia quase esquecendo de dizer que não me esqueças, porque passar pela vida de alguém é um privilégio sem par, ser seu par então, ainda que pouco te pareça, foi uma experiência daquelas que ainda me faz suspirar.
Por fim, mas nunca por último, colha flores. Dos canteiros da cidade, da casa da velha vizinha, de uma praça, de um jardim qualquer, e aceite muitos beijos desta que muito bem te quer.
 
*

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Nas nuvens

.
 
 
Então o amor chega. E nos agarra pelas ancas, e nos arranca do chão. É uma explosão.  Tudo muda. Outros sons. Novas cores. Acrescidos somos de percepção. Uma outra.  Abre-se uma nova sintonia, mais fina, mais linda do que se poderia supor nos nossos sonhos de um amor. Alcança-se as nuvens. Não há mais caminhos. Você já chegou! Este é o lugar, e ele se chama amor. Qualquer tarde é eternidade. Qualquer noite é céu estrelado. Qualquer bom-dia é canção. Qualquer evento é condição. E como bate o coração... Você conjuga alegria, prazer e o mais puro desejo de estar vivo. E ativo ,tudo ao mesmo tempo, livre de compromisso, solto como um cata-vento.
É um estado divino. Cabelos ao vento, quem vai lembrar de  documento quando o momento está protegido pelo amor? Viramos imortais, deixa pra lá os teus sais, agora somos iguais, e o tempo que se dane, a gente quer é que o amor se esparrame pelos ares, por todos os lares, enquanto a gente voa muito leve, muito estranho, tudo que quero é que o amor nos acompanhe, e, por favor, não reclame, se eu parecer uma poeta infame, que delira o amor em versos que parecem entrar em pane, o amor ainda vai se esparramar, se multiplicar e te acertar, em cheio, numa noite de Janeiro, quem sabe Fevereiro?, ou numa destas noites insones, e tudo vai parecer tão perfeitamente razoável,  meio sem lógica, eu sei, mas quer saber?  que se dane, hoje eu só quero saber das asas, e me soltar nos braços desse amor que eu nem sei se existe, mas que não desiste, e já cansou de ser triste e hoje vai voar. Pode apostar!
 
 
 
 
*

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Delicada seja a face de 2015...

 
 
 
Que 2015
revele-se
 em múltiplas e variadas
 fartas e delicadas
formas de
FELICIDADE
 
 
Feliz Ano Novo!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
*

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Renda-se

.
 
 
Existe
o amor,
então,
faz todo sentido existir o
Natal,
 
e assim como o amor,
o verdadeiro,
não se explica,
desta mesma substância inexplicável
faz-se o Natal,
 
_ e sem mais explicação
 o negócio é se render
a emoção.
 
 
FELIZ NATAL!
 
*

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

GOSTAR DE GOSTAR

.
 
 
Gostar é muito. Gostar é um verbo amigo. É quase maior que amar. Porque quando se gosta, se gosta meio sem condição. Coisa meio de irmão. Ele pode até te sacanear, mas tem o gostar lá no meio. A gente não se acanha no perdão, por exemplo. No gostar a gente aprova sem muita avaliação, a gente gosta e ponto,  até porque, gostar é mais fácil. Ou deveria ser. Pra não gostar entra a chatice na história, aquele troço do perfeccionismo, é mais complicado não gostar porque, o buraco é mais embaixo, passa por percepções interiores que a gente pensa se tratar no outro, mas não! Quando a gente gosta a gente simplifica o caminho, aceita na pureza. É quase uma coisa caipira, no boníssimo sentido da palavra. Gostar lembra bons tempos, tempos em que se faziam visitas, se fritavam bolinhos pra visita, tempos de ir à novena, beijar a mão da vó, tempos de menos fartura e mais valor. Gostar é como ir para um sítio e se largar numa rede: _ tem coisa mais simples e gostosa do que uma rede pra se balançar? Se for pra olhar "olhar assim de perto", uma rede não é a coisa mais confortável do mundo, o tecido não é o mais macio do mundo, a coluna nem fica correta daquele jeito, é muito simples, simples de tudo, e mesmo assim,  quem vai dizer que não gosta de uma rede pra deitar? Penso desse jeito o gostar. Um sentimento  imperfeito e todo feito pra gente se largar. Se largar sem culpa, sem análises consonantais, complicações e coisas e sais.
 
Gostar não dá aquela sensação de borboletas no estômago, que todo mundo fala que é bom. Caprichoso estado  da categoria  Paixão. _ É bom? _ É bom!, mas sei lá, às vezes é bem bom também estar com o estômago calminho, estirada numa rede, vendo as borboletas baterem suas asas e voar. Ver o voo. Calmamente vê-las passar. Tudo solto. Tudo livre. Corpo. Mente. É uma coisa tão sana. Quase santa. Sagrada simplicidade de se soltar os nós pra poder se soltar. Ser humano sem pressa, sem ansiedade, sem véspera... Gostar é aproveitar o mundo sem se esquentar. É quase como resolver que a vida é vadiar. Relaxar e desencanar.
 
Se borboletas presas se debatendo no estômago é coisa de amar, vou te confessar,  acho que prefiro borboletas voando e só GOSTAR. Gostar por gostar, gostando de gostar.
 
 
 
*

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

ABRIGO

.
 
 
 
 
Tem amigo que é tão querido
que faz a gente se sentir tão acolhido
que esse amigo poderia logo ser chamado ABRIGO.
 
 
 
 
 
 
 
*

é oque diz a canção: vambora?

.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
 
 
 
quem
sabe
faz
a
hora
não
espera
acontecer
 
.
.
.
.
.
.
.
.
.
 
 
 
 
 

Asa Coração

.
 
 
DEZEMBRO
podia bem inaugurar
uma nova estação:
 
_ já é mais do que  tempo de libertar o coração!
 
 
 
*

sábado, 15 de novembro de 2014

Até breve!

.


Estou longe do mar. Quilômetros. Longos quilômetros me separam das águas que poderiam trazer um tipo de conforto especial, algo parecido com um carinho feito por Deus, delicada carícia de corpo inteiro, alívio de corpo e alma. Dói. Estranhamente, dói.

Assim como doem as partidas. Partidas sempre estendem em muito, os quilômetros de distância. O menino poeta dos passarinhos vivia à quilômetros e quilômetros de distância desta que tanto o ama. Era sonho um dia, entre árvores e flores miudinhas, entre sapos e latinhas, entre o passeio de uma cobra de vidro e a sorte do destino, topar com este menino de mais de oitenta primaveras bem vividas.

Não foi possível neste plano, porque quis o plano divino leva-lo pra cima, lá entre as grandezas, este miúdo menino poeta de instantes pequeninos e tanta lindeza de alma. _ Pra onde você foi, Manoel? Tá interessante aí em cima? Será que você pode me ouvir? Será que eu dizer que amo sua alma te deixa feliz? Será que você poderia sorrir pra mim? Mesmo que fosse em sonho?

Sabe, Manoelzinho, tua poesia das coisas pequenas me acalma. Traz paz. E sossego, e a mesma sensação do toque de Deus que só as águas de um mar tranquilo me trazem. Ler tuas palavras acende em mim a humanidade que parece perdida neste mundo confuso aqui da cidade.

Você se foi, e eu fiquei tão triste. Quando senti uma aguinha salgada alcançando meus lábios por saber da tua partida, lembrei do mar. E senti o mar tão perto... senti você por perto... percebi que já não existem mais quilômetros a nos separar. Você já pode saber do meu amor por ti. Amor puro e verdadeiro, amor que vive  num reino pequeno, nos grãos de areia que fazem berço pro mar, mar de amar que aprendi com tuas palavras.

Não sei oque nos aguarda por aí, neste lado para onde você foi, mas agora tenho certeza que deve de
ser um bom lugar. Um lugar cheio de borboletas, aquelas que você escolheu para nos governar. Não te esquece de mim, agora que não existe mais chão pra nos separar. Pisca uma estrela, manda um sinal. Eu que já olhava tanto pro céu, agora os olhos dele não vou desgrudar. Até te achar, menino poeta, até te sonhar .

Até breve, passarinho. Até mar!


*

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

TODA GENTE

.


A vida é muito curiosa. Vive de opostos. Opostos que se atraem. Retraem. Sondam. Movimentam-se em versos, reversos, múltiplos prismas de uma vida que, tal qual reflexo , se abre para um novo reflexo que se abre para um novo reflexo, e em cada movimento, muda, amplia-se, encolhe-se, perde o original de si mesmo, mas ainda assim, permanece. Permanente é o gesto que não cessa sua busca. Busca entender. Busca modificar. Busca transformar-se em mais. Para todo lado, mais. Mas, que porra é essa de lado? De que lado você está? Depende do dia. Depende da hora. Depende do assunto. Depende de tudo. Só não depende, se tiver que abrir mão da essência. Da coisa básica que se oscila, oscila sem perder as estribeiras. Não dá pra dar bobeira quando se tem gente na história. E alguma vez, por acaso, não tem gente na história? Sempre tem a ver com gente. Gente com que a gente vive todo dia, gente com quem a gente trabalha, namora, se enrola, gente com quem a gente só esbarra, gente que força a barra, gente que traz a alegria na sacola, e tem gente mala, tem gente que pouco fala, tem gente que que quando deveria, cala, tem gente que saca o lance, tem gente que se faz de bobo, tem gente que cresce e aparece, tem gente que desaparece, e não deveria, porque tem que ter gente pra ter alegria. Gente de todo lado. Por todos os lados. Das altas rodas, das periferias, gente que se faz de burguês, gente que vira freguês, gente que tem manias, gente que tem as mãos frias, gente que já vem logo pro abraço, gente que se deixa vencer no cansaço, tem gente com paciência, tem gente com carência, tem gente que dá preferência às velhinhas que estão na fila, e tem gente boa na vila, nos pampas, às pampas, tem gente boa que tem a barriga verde,tem gente que fala guria no lugar de menina, gente que vive nas grandes cidades, que tá no centro, que tá na crista de alguma onda , e tem uma gente mais do que boa, lá pro lado de cima, onde sol com tudo rima, sorriso certo, mesmo quando o julgo é incerto, gente de cabeça erguida, gente sofrida, gente que sabe o valor da vida, essa vida que se estende para mais além deste oceano, atlântico, e vira índico, pacífico, como toda gente quer ser, ou deveria, ser pacífica, da paz, aquela gente que de tudo faz, ou pouco faz, tanto faz, oque a gente quer, toda gente do planeta, é se agarrar na cauda de um cometa e esquecer os lados, esquecer as fitas, esquecer as rixas, e cair no abraço, e viver em paz. Isso é coisa de gente, isso é coisa da vida, curiosa vida, de tantos lados, de tantos versos, que nos envolve à todos, deste pequeno universo.



*

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Delírio e Recordação: Condição

.


Curioso, esse ser, humano, e sua diária e pequena solidão. Solidão preenchida por insanos momentos de reclusão. Ou serão momentos sãos? Um momento para chamar de seu. Nele repousam  inquietações. Ou seriam, reflexões? Oque foi feito daquele sonho. Oque será daquele anseio. Onde foi parar meu coração. Naquela canção? Como era mesmo o refrão? Tudo um dia será esquecido? Virei solidão? Desilusão? Estarei eu na contramão? Quem abrirá mão do desejo quando tanto bem se quis? Foi por um triz que não fiz oque sempre quis. Quis com esse, quis com ze, quis pouco ou pouco te quis? Nada faz sentido quando se está só. Quando sorrateiro arrasta-se o silêncio pelas paredes, e soleiras, desconsiderando as eiras e as beiras e enxergar minha derradeira condição? Continuo aqui, e cada um vai por aí. Entre seus livros, seus discos, seus programas de televisão, sem saber que aquele rosto ainda traz, e tanta, RECORDAÇÃO.



*

terça-feira, 21 de outubro de 2014

... é TREZE, CORAÇÃO!

.

Na  minha casa, a gente aprendeu desde cedo que é preciso confiar nas pessoas. Mas sempre com critério. Com análise. Com inteligência. Meu avô sempre dizia: _ Não quero saber de neto seguindo rebanho, vocês têm cabeça, e cabeça foi feita pra pensar.

Na minha casa, a gente aprendeu desde cedo também, que para se ter uma omelete, é preciso que se quebrem os ovos. Ou que se jogue o jogo. Em ambos os casos, a gente aprendeu que, se tem omelete, todo mundo tem direito de comer. Ou todos comem, ou ninguém come, simples assim. E isso inclui TODO MUNDO. Sem exceção ou privilégios, na mesa e no jogo da vida.

Na minha casa a gente aprendeu que não basta ter uma grande inteligência, é preciso que ela vá além e seja emocional. Que a gente se comova com as pessoas, todas as pessoas, e coloque as mãos na obra ao invés de reclamar, ou postergar, ou se acovardar.

Nem todo mundo desta casa grande que era a casa do meu avô, captou a lição, umas foram pra cá, outros foram pra lá, mas quem ficou do lado de cá, aprendeu que respeito é uma palavra chave, indispensável, e que honestidade a gente reconhece porque se reconhece nela.

Na minha casa, a gente aprendeu e muito o valor do que é GRATIDÃO. Tinha até uma palavra que a gente aprendeu como repgunante: VIRA COXO. Você podia agir de qualquer forma para se testar na vida, mas sempre foi, veementemente proibido ser uma pessoa ingrata, uma pessoa que vira as costas para quem tanto ou pouco fez por nós. Saber reconhecer o esforço, a generosidade, as dádivas, ou oque quer que fosse, _ aprendemos, faz do caráter de uma pessoa algo reconhecível como bom.

A gente aprendeu que não há mérito em vencer com desonra. Que não há mérito nas manipulações da verdade. A gente aprendeu que tem que ser bom para todo mundo. Que não se conta vantagem. Que não se marginalizam pessoas, por credo, raça, cor, preferência, política, por nada, porque somos todos seres humanos passíveis de acertos, de erros, mas que tomar porrada sem reagir é burrice. Aprendemos que temos direito a uma posição, e podemos defendê-la, mesmo sob risco de marginalização.

A gente aprendeu sobre coragem e sobre valentia. Sobre homens e mulheres serem seres de Deus, sem um nem outro ser superior ao outro, e que às mulheres cabe um extra de carinho, respeito e consideração. A gente aprendeu que tem que ser elegante, que tem que saber se comportar, que tem que ter carinho com as pessoas, que tem que saber falar as coisas, que tem que saber ouvir, que tem que ser capaz de ouvir opiniões contrárias sem se ofender e sem perder as convicções e a ternura 'jamás'.

A gente aprendeu um monte de coisa. Muitas precisam ser revisadas minuto à minuto desta vida, porque é dureza fazer certo. A gente é imperfeito pra caramba, mas tem horas que não deveria ser permitido errar. Meu avô sempre se posicionaou politicamente. Falar sobre os caminhos políticos de nossa cidade, estado, país, sobre o mundo, sempre foi uma prática em casa. Mas com a mente bem aberta, o mais ampla possível, e buscando as mais variadas fontes, porque só com bastante conteúdo a gente é capaz de chegar perto da verdade.

E por ter tido o privilégio de ter tido um avô como o meu, ter tido o privilégio de estudar, de aprender, de saber por a cachola pra funcionar e pensar por ela mesma, por respeito e consideração á tudo que me foi transmitido desde o dia que nasci é que venho até este espaço onde coloco minhas opiniões mais variadas e declaro delicadamente que voto na Presidenta Dilma com muito sossego e alegria. Ela me faz lembrar a casa. A grande casa do meu avô. Ela me faz lembrar família. Luta diária. Olhos atentos. Coração valente e amor por toda gente, seja lá quem for, com ela eu aprendo que para ser uma grande mulher há que se ter muito mais do que os predicativos básicos, há que ter uma enorme capacidade de gerar amor,

e amor é oque eu deixo nestas linhas, amor para os que comungam destes pensamentos, e sobretudo amor aos que discordam dele, porque caros amigos, tudo que a gente quer é um país melhor, mais direitos e alegrias para todos, e que a sua convicção pode ser diferente da minha, mas no final, oque a gente quer é que a felicidade seja geral.

Boa Sorte, à todos. Por um país sem exceção.!



*

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Caraminholas

.

.


Há tanta coisa boa pra pensar...
Pra que prender caraminholas na cachola
como se cabeça fosse gaiola
se quando soltas
elas podem voar?

_ Deixa virar passarinho
bater asas e voar,
deixa pensamento florear...



*

sábado, 27 de setembro de 2014

O peso do mundo

.


Todos carregamos o mundo nas costas, então, torná-lo leve é a melhor coisa a se fazer.

Por todo mundo. Não é?...



*

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

ADIANTE

.


O que a gente passa adiante, adiante vai. Alguma coisa caminha adiante, bem diante dos olhos que por vezes, não enxergam um palmo diante do nariz. Tudo que se pensa, segue adiante. Dias antes, até. Tudo que se fala, segue adiante, norte sul, leste, oeste. Tudo que se faz, reverbera. Ressoa. Repercute. Resvala e segue batido feito batida da asa de qualquer borboleta Atira. Por dias e dias. E dias, depois. E segue adiante uma de mim junto à pensamentos, sentimentos e toda bobagem capaz de ser feita. Deixar para trás. Passar adiante. Estagnar. Movimentar. Seguir em frente, em espirais, sempre torcendo, sempre sofrendo, sempre querendo, sempre sorvendo oque vem, oque vai, seguindo adiante, e d e v e z e n q u a n d o, olhando para trás.

_ BOM SABER!



*

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Recém-nascida

.

Fez-se o Amor.
Ficamos todos grávidos.
Corpos em tansformação
numa gravidez que não tem fim
chamada Vida
que creio, nunca finda

estado interessante
de uma ansiedade original:

_ Quando finalmente irei me parir?

Ou ainda:

_ Quando nascerei de novo em mim?


*




sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Acender

.


Acendam-se
os amarelos
pois a PRIMAVERA
não tarda.
Acendam-se
todas as cores
as folhas, as flores,
e nós, sobretudo NÓS,
acendamo-nos em elos
para que a semente
eterna do amor

faça-se em nós presente
EM MAIS UMA BELA PRIMAVERA



*

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Beijinhos

.

Sabe essa coisa de ter que agradar à todo mundo? Pois é, invariavelmente a gente acaba não agradando à ninguém. E nem à gente mesmo, porque o que sobra neste movimento insano de querer ser agradável é uma grande frustração de não conseguir. Quando você finalmente pensa _ que se dane!, parece que os ombros liberam uma tonelada e meia de um peso desnecessário porque, simplesmente, você só vai agradar à alguém se este alguém estiver predisposto a sentir-se agradado. Em caso contrário, você pode volver céus e infernos e não vai conseguir.

A grande merda é que a gente se vicia neste movimento de ter que agradar. É quase uma obsessão. A opinião do outro. O outro. Sempre o outro. Até a gente mesmo acaba parecendo uma outra pessoa à quem se tem que agradar. Quanto estranhamente existe na não naturalidade de um gesto. Tudo se perde.

Para ser agradável aos olhos, aos ouvidos, aos sentidos do outro, há que se partir muito mais do lado de dentro, aquele lado que certamente questiona a validade de precisar tanto de aprovação, aplauso, cumplicidade e essa coisa toda que vem do outro, mas que teria que partir de nós.

Lá dentro, dentro bem dentro da gente, lugar que nem sempre sobra tempo para se acessar, haja vista que o outro tem que ser visto e agradado muito, e rápido e pra ontem, existe uma centelha. Tem que existir porque a gente não é só este corpinho bonito que Deus nos deu. Somos oque realmente somos. É na sondagem deste ser, na manutenção desta chama para que ela queime e nos incendeie que está a tal grande mágica de conseguir agradar alguém. Faz-se oque se faz pelo amor de se estar fazendo.

Lógico que não se trata de soberba ou indiferença ou pouco caso para com o outro, trata-se antes de tudo de ser coerente e leal com a gente mesmo. Repetir o mantra do amor propriamente como ponto de partida de quem se ama acima de tudo. A unanimidade nem sempre é esperta. Tem vezes que é até meio burra. Então, poucos serão muitos, e muitos serão os momentos de paz.

Porque essa história de 'beijinho no ombro' é meio brejeira, mas faz sentido.
Gostou gostou. Não gostou, o beijinho fica seu.

*

terça-feira, 2 de setembro de 2014

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Nem grega, nem troiana, só uma chiquita bacana

.



Agora eu te pergunto: _ Do que adianta conhecer conceitos rebuscados acerca de um tema qualquer se, na prática, é tudo tão simples?
Um abraço, por exemplo: é um abraço. Nos meus conceitos simplórios ou simplistas, como preferir, abraço pra mim, é um gesto afetivo, empático, aproximador, amigo, amante, que se dá com intensidades diferentes, mas verdadeiramente, à toda gente por quem a gente nutre afeto. É dos gestos humanos, dos mais desejados e seus efeitos são variados, mas nunca se sai de dentro de um abraço sem aquela sensação gostosa de que não se está só.

Simpatia é outro exemplo. O que adianta conhecer conceitos muito bem elaborados das raízes da palavras e suas origens e coisas e tal, se na hora de ser simpático, dá um breu? Pra mim, simpatia é coisa bonita. Simples. Caseira. Educada. Refinada. É uma expressão camarada de quem não está no mundo só pra tirar vantagem, está pra acrescentar também: beleza, sorriso, amizade, consideração. É aquele plus que faz a pessoa parecer mais bonita do que é realmente.

Já empatia, é palavra que não se tem muita intimadade. Não se fala muito em empatia. A palavra em si não é muito simpática. Mas não me interesso muito em saber oque ela carrega em termos etmológicos. Será que é essa a palavra que se diz? Bem, nem sei, meu compromisso com a escrita é tipo lição de casa de jardim de infância, então, relevem, eu só estou praticando. Voltando à empatia, no meu conceito, é simpatia multiplicada ao quadrado. É mais.

Sabe quando uma pessoa vem até você meio mais pra lá do que pra cá, e, na verdade ela tá querendo desabafar, um ombro amigo e tal?... Então, no caso, ser simpático seria algo como, ser otimista, sorrir, dar tapinhas nas costas, dizer pra reagir e aquela coisa mais ou menos, mas que não se envolve. Empatia é se colocar no lugar da pessoa, e dizer um sonoro _ eu te entendo, é 'phoda' mesmo!, vem cá, vamos prosear até que esse banzo passe.

( Banzo: tristeza, pé no saco, saco cheio, fossa, melancolia, essas coisas de não estar se sentindo muito bem por algum motivo, ou até por motivo nenhum)

Então, basicamente é isso. Conceitos filosóficos sofisticados não são a minha praia. Na equação das coisas da vida, eu vou logo pescando oque eu entendi à partir do que eu vivo e sou.Não sei oque fazer com o resto. É pouco? É, especialmente pra quem se coloca a escrever num canal aberto, mas deve ter gente que curte as coisas assim, mais preto no branco,mais chove e não molha, mais superfície do que profundezas, mesmo que superfícies possam ser muito reveladoras, enfim, é só pra prosear rapidinho, sem compromissos verbais, só um instante amorosamente simples e sobretudo real e humano.


*