sábado, 14 de novembro de 2009

COLA

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Quando a canção toca
no sábado,
de manhã,
de sol, de azul
de luz,
e diz:

Será, que a gente, ainda será,
A velha história de amor,
Que sempre acaba bem, meu bem?!

Meio demodé pra hoje em dia,
Antigamente, tudo era bem mais chic!
Porque, a gente nem sabe porquê.
Mas acontece que eu nasci
Pra ser só de você,
É claro que a sorte também ajudou,
Ultimamente um romance dura pouco.

Cola,
seu rosto no meu rosto e
enrola, seu corpo no meu corpo, agora,
Está na hora de DANÇAR.


[Deve ser um bom sinal]


Pra curtir:

http://www.youtube.com/watch?v=_R0D604LXMM&feature=related

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Quadras perfumadas

Estou ansiosa. Muito ansiosa, mas ansiosa do bem. Um estado de quase ver algo acontecendo, embora esse algo ainda não esteja acontecendo. Seria mais ou menos como, estar à alguns metros de uma padaria que faz doces deliciosos, e o aroma se espalha por quadras. Você está passando por uma quadra dessas, e não sabe de onde vem aquele cheirinho bom, mas sente. E inspira mais forte e se direciona para lá. Pelo instinto. Pelos sentidos. E pelo coração, óbvio, porquê eu acho que tudo que é gostoso e bonito, passa pelas mãos do coração de alguém. Você já fechou os olhos como se no ato de fechar, você pudesse ver mais? Ver além? ... é mágico, né? Pois é bem desse jeito que estou, com o coração em rebuliço como se algo maravilhoso fosse acontecer dentre alguns minutos. Tudo bem, ou horas. Ou até dias, ou meses. Não faz mal. Sentir já eleva minha alma às alturas, e de lá, tenho certeza, posso ver coisas que me deixam sem ar. De tanta felicidade. Deus permita!


*

domingo, 8 de novembro de 2009

CORANDO











Foi tudo quanto era coisa para o sol, para o corador, como Vó Ju, dizia. Ela achava que as roupas quando ficavam no sol para corar, ficavam mais branquinhas, limpinhas, cheirosinhas. Resolvi pois, seguir o conselho da vò, e de uma amiga querida, que tem sempre ótimos conselhos. Foi tudo para o sol, se encher de azul. O que é de estima, o que é de afeto, o que é de magia, o que é de encanto. Foram mágoas novas e antigas, essas, mais resistentes, dores que ardem ainda, cicatrizes recentes, outras, nem tanto... mas é tanto sol, tanto azul, e tanto de tudo que vai clarear. Vai ficar gostoso ao toque de novo. Bom de passar na pele e sentir aquele cheirinho misturado de maresia, sol que aquece, alfazema. Alfazema? é! , acho que alfazema tem um aroma azul. Lavanda também. Lavando com lavanda. Tentar, pelo menos. Todo dia é dia de tentar. Amanhã, coloco tudo de novo no sol, e vou junto, para ficar mais limpinha também. Beijos leves daqui, de onde o azul é tanto que dá até a sensação que é verde. Verde azul. Feito ESPERANÇA.






sábado, 7 de novembro de 2009

VOLTA AZUL

Vim de tão longe. Estou tão longe. Tudo parece tão perto e, paradoxalmente, como se ouve por aí, distante demais. Exageros. Onde estou existe um exagero de azul. Azul no céu, azul no mar, azul nos vermelhos, nos rosas, mas pouco amarelo. Quer dizer, tem o sol, que é amarelinho, mas aqui, ele é azul. Como os dias, só que é um azul que não dá pra levar para casa, e isso é frustrante. Tem muitas coisas lindas aqui, mas não vi nenhuma pipa no céu. Em compensação vi um bem-te-vi hoje. Em tudo quanto é parte que eu vou, ele vai. É sério, o mesmo bem-te-vi. Achei que ele nem vinha dessa vez, mas acabou vindo o danadinho. Fiquei feliz e triste porquê sei oque ele veio fazer: veio me buscar. Está quase na hora de voltar para minha vidinha, então acho que ele veio preparar o espírito da volta. O meu espírito para a volta. Palavra bonita, né?... VOLTA. Pensar na beleza dessa palavra até que me animou. Vou sair, encher mais um pouco os olhos e o coração desse azul todo, que daqui a uns dias tá na hora de fazer as malas e voltar. Voltar para o meu próprio azul, de onde na verdade, eu não saio jamais. Beijos.


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domingo, 1 de novembro de 2009

Volto logo!

Vou logo ali, e já volto. O portão está só encostado, e a chave da casa está embaixo do tapetinho, como sempre. Minha casa é sua, isso você sabe, né?... Colha umas flores, estão bonitas que só, agora que o sol voltou. Regue-as por mim, caso não chova. E se chover, venha tomar um banho de chuva aqui no jardim. As flores soltam um perfume que alucina quando chove. Tome uns golinhos de chuva também. Dizem que tomando água de chuva a gente consegue ver umas coisas especiais. Tipo o coração de quem a gente ama. Mas tem que ser chuva de verão. Daquelas lindas e quentes. Ah! e se puder, venha à noite também, porquê as estrelas vistas daqui, são mais bonitas. Tem umas que brilham colorido, piscam rapidinho feito piscapisca de Natal. Se você vier, eu saberei, porquê lá onde vou estar, estarei fazendo a mesma coisa. Com sorte, vemos ao mesmo tempo mais uma estrela cadente, sinal de que estaremos perto do coração um do outro. Que é o seu lugar. O meu coração. E que é o meu lugar, o seu coração. Te deixo um monte de beijos, e muitas saudades d'ocê.


"É que eu não sei como esquecer
O caminho do seu coração."

[pedacinho de uma música linda, de Gian Fabra]


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sábado, 31 de outubro de 2009

O DOBRO DO AMOR

Era meia noite. Para variar, estava junto á janela. Despedia-me da noite e de você. E aí, aconteceu de novo. Outra estrela cadente, linda, branquinha caiu bem diante dos meus olhos. Nada de alucinação, nem acréscimos etílicos. De verdade, mesmo. Minha reação faz-me rir. Eu solto aquele _OH!, de quem não está acreditando no que está vendo. Sabe como é? Ah, sim! esqueci que você não sabe. Esquece. O fato é que não considero isso normal. Se em minha vida toda, vi umas cinco ou seis estrelinhas cadentes, foi muito. Nesse mês, no entanto, é a segunda. Tudo bem que hoje em dia eu vivo com os olhos pregados no céu, especialmente à noite. Procuro alguma coisa, mas não sei definir exatamente oquê. Creio que algum tipo de comunicação mágica, porque afinal, o mesmo céu que me abraça, abraça à todos os que amo. Abraça VOCÊ, que no fundo é quem eu busco todas as noites no meu céu. Nas estrelas que vejo, nos sonhos que me ambalam, nas músicas, nas imagens, no canto dos pássaros, em cada partícula invisível de ar. Eu te respiro todo e inteiro. Sou seu satélite, sabia? Giro em sua órbita infinitamente, mesmo sem saber se você me vê. Ou me sente. Ou me quer por perto. Por isso procuro fazer silêncio. Vou te contar uma coisa: eu adoro esse meu particular. Você é o meu mundo secreto. Com isso, conclui-se que devo adorar você, não é?... em público e em particular. Sabe, quando fui até a janela nessa noite, fui tão rapidinho, apenas para dar aquela olhadinha, desenhar um coração na janela e deitar. Estava tão ligada à você, queria deitar logo para sonhar nossos sonhos. Como se você soubesse, e estivesse com aquela estrelinha na mão, pronto para mandá-la pra mim, eu mal apareci na janela, e aconteceu. Foi bonito demais. Foi como um beijo de amor de noite e corpo inteiros. Preciso agradecer aos céus por essa magia que me cerca, e agradecer por ter você de alguma forma, acrescentando estrelas na minha noite, e paixão à minha existência cor de rosa. Beijos, Amor.

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

*

c
o
n
s
a
g
r
e

seus desejos!



*



You need chaos in your soul
to give birth to a dancing star.

(Friederich Nietzsche)

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

CURIOSIDADES















































Você não me conhece. Pensa que conhece, mas não creio que você saiba nada de fato. Nada de importante. Nada do que importa. Quer ver?... Aposto que você desconhece o quanto adoro andar pela praia, e tomar sol com meus seios nus. E isso importa pra mim, porque gosto da sensação de minha feminilidade mais delicada, sendo beijada pelo vento. O Vento, ser masculino que imagino como sendo você. Será que por isso que aprecio tanto o vento pelo meu corpo? Como se todo o teu ser estivesse nele, e adentrasse pelos meus poros. Como sendo vento. Como sendo você. Você sabe disso? Não, você, não sabe. Assim como você não sabe que a cor que prefiro para os lençóis é branco. Como as cortinas, as velas e o tapete de pétalas de rosa que imagino que você prepara pra mim, para minha chegada. Como você disse que seria. Ou será que não disse? Seu ser urgente pensaria em coisas assim? Uma noite tântrica, branca, de sentidos muito mais do que de meros apelos visuais. Você não sabe que amo janelas, sabe? Não, você não sabe. Amo janelas e portas. Gosto de imaginar acolhidas. Portas lembram-me abraços, enquanto janelas, fazem-me lembrar noites sorrateiras. Acho uma fantasia interessante, imaginar você entrando pela janela branca do meu quarto, que está sempre destrancada. Por que será? Você não sabe, certamente! Muito menos saberia que tenho nostalgia pela França porque a minha tataravó, de quem trago o nome, nasceu lá, casou aqui, mas desapareceu um dia, sem maiores explicações, para voltar para os braços de seu amor francês que finalmente decidiu romper barreiras e assumir o amor por ela. Ela deixou pequenas delicadezas para cada filha que teve. Uma delas está comigo. Um broche pequenino em forma de uma estrela lilás. Você não sabe, mas ela aparece pra mim ás vezes, e me diz coisas. Conta-me segredos e diz que não é pecado ter segredos. Pecado é não saber viver. Sonhei com seu amante francês uma vez, um jovem intrigante. Sorria para mim no sonho, e piscava o olho . Mas você não liga pra essas coisas, né? Nem deve ligar se mulheres ficam mais femininas de vestido. Pois eu amo vestidos. Uso vestidos sempre. Sinto-me mais bonita usando vestidos. Curtos, longos, brancos, transparentes. Vestidos. Coisas de moça boba. Coisas. Outra coisa que você não sabe. Sou louca por coisas. Apegada às lembranças que elas carregam. Como aquele coração, lembra? Não, claro que você não lembra. Eu carrego um coraçao na bolsa. Um coração e um tercinho de contas transparentes. Beijo o terço ao sair, e depois de beijar o seu coração, peço proteção para nós dois. Mesmo que você nem ligue. Tenho caixas, malas, pacotinhos, meu tesouro é feito de pedaços de papel, flores secas, poemas, prosas, frou-frous cor-se rosa. Não, não ao estilo barbie. Estilo mulher que ama sua antiguidade, simplesmente. E ama transparências. Sinto-me bonita entre transparências. Certas vezes, danço entre as cortinas do meu quarto, nua, como se fosse para você. Apareço e desapareço, e nessa fantasia, você não olha só meu corpo, você vê minha alma. Alma de louca. Alma de quem nunca está só. Alma de quem tem segredos e orgulhos. Mas que tem leveza quando amada. Leveza de flores de campo. Flores de campos perto do mar. Flores que não são as mais belas e desejadas da constelação floral, mas que é flor mais do que nunca. Flor de resistência. Flor que se rende ao mar, aos portões, ao sol, ao lilás de toda uma vida. Sabe por quê? Porque tenho sorte. Muita sorte. Quando eu nasci, meu pai achou um trevo de quatro folhas no jardim da maternidade. Mandou fazer um, bem pequenininho em ouro, e me deu como presente de nascimento. Trago ele comigo. Dia e noite. Sabia?... não, você não sabe. Você nem sabe a cor do meu sorriso, como poderia saber disso? E como poderia saber que a palavra mais linda do mundo para mim é ENCONTRO? Sim, encontro. Encontrar. Tenho encontrado tantas coisas na vida! Curiosas e bonitas. E pessoas. Curiosas e bonitas. Queria que você tivesse curiosidades sobre mim, e me achasse bonita. Encontrasse em mim o que eu encontro em você. O que eu encontro em você? Aposto que você não sabe, mas isso eu não vou contar. É segredo e está guardado na mesinha de lado da minha cama, junto ao terço de contas transparentes, junto ao coração, ao broche de estrela e ao trevo pequenino. Está tudo guardado junto a mim, e protegido pela janela branca que está sempre destrancada, muitas vezes escancarada, para um vento quente que não cansa de entrar. E trazer o que amo. E trazer vida. E trazer-me de você!









sábado, 24 de outubro de 2009

"Pra você viver mais..."

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Sei que você gosta de borboletas,
Sei que elas vivem te rondando,

então, a próxima que você vir
é só pra você lembrar de mim.






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Relicário


*

O que você está
dizendo?
Milhões de frases
sem nenhuma

[flor]

O que você está fazendo?
Por que está fazendo assim?



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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O Entardecer







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Em certa tarde de Maio eu nasci. Naquela data comecei a amar os finais de tarde, e a entardecer junto com elas. Tenho jeito de tarde, e alma de noite. Mas meus sonhos são matinais, benditos e acolhidos, amados e beijados com o frescor de cada manhã. E assim, seja!
*




*


"E SE O BEM E O MAL
EXISTEM,
VOCÊ PODE ESCOLHER,
É PRECISO
SABER VIVER"






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DA VIDA

É o movimento da vida. Pessoas entrando e saindo das vidas umas das outras, num infinito mar de tantos sentimentos. Sentimentos de chegada. Sentimentos de partida. Entremeios. Os começos. Ninguém pensa muito quando está no começo. Deve ser a paixão que nos deixa um tanto quanto crentes no super poder daquilo que começa. Falo isso porquê, se pensássemos que haveria um fim, nos apegaríamos com mais força à magia dos inícios e, empregaríamos mais empenho para alargar a sensação. As certezas nunca são possíveis. Só há a certeza do fim, e mesmo essa certeza não é bem certa, ninguém sabe oque vem depois, quando o filme acaba e a tela mostra o THE END. Viver é uma coisa bastante ilógica. O grande Criador das coisas todas deve ser um sujeito bem complexo, _ pelo amor de Deus! Ontem mesmo foi um dia daqueles, sem lógica nenhuma. Na noite anterior, comemorávamos em família meu irmão preferido, e na manhã do dia seguinte acordamos com a notícia da passagem brutal de um conhecido nosso. Garoto de vinte e cinco anos. Levado da vida com tiros na cabeça ao deixar sua namorada fofa no portão de casa. Ela na UTI, com tiros também. Lindinhos os dois, bons filhos, queridos de todos, e a palavra fim chegou dessa forma inimaginável junto com o dia. E o dia foi punk. A gente pára, pensa e se pergunta que sentido existe na estupidez humana. No cinismo, no abuso da inocência, no furto gratuito das emoções puras, no ultraje. Portar a dor. Qual a função disso, mesmo? Foi um dia de episódios de ignorância e incompreesão. Um dia de absurdos. Mesmo assim, um dia de amor. Vida estranha. Na verdade, nem pretendia escrever sobre, mas agora está escrito e segue com um enter e um pedido:
_ Pessoas queridas que passarem por aqui. Please! entreguem-se de braços abertos à VIDA, mas protejam-se muito. Queria muito crer que só o bem existe, mas o mal nos espreita também.


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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Peço licença, mas preciso gritar.

Que droga!
Que droga!
Mas que puta droga!

Perdão, mas como sou moça que não sabe gritar, vim gritar justo aqui, nesse espaço de carinho. Mas tem gente que consegue, não é? Quer dizer, a gente permite. Ou melhor, eu permito. É feito criança pequena, você diz zilhões de vezes que se botar o dedinho na tomada de luz, vai levar choque. Aí, a abobada da criança vai lá com a mão toda babada e leva um baita choque. E aí chora. Dá vontade de dar umas palmadas, que aliás, é o que ando merecendo por não saber me respeitar. É que sou daquele tipo de gente que, como diz um desconhecido, perdoa rapidamente , ama intensamente, esquece abobalhadamente, se equivoca ininterruptamente, tudo sem noção DEMAIS. Está sempre, sempre tudo embaixo do nariz, e a gente não vê, é incrível! precisa esfregar no seu nariz com força pra cair a ficha. Bem feito, Maria! agora chora, mas vai chorar na cama que é lugar quente.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Polaroides Amorosas







Eu queria ter esse poder, sabia? O poder de , dando um simples sinal de minha graça em sua direção, fazer seu céu se iluminar em cores, azul de bolinha de gude, céu de festa, sorriso de coração, palpitações musicais apaixonantes, suspiros compassados, descompassados, corpo leve, gosto de esperança, crença na sorte, na boa sorte, na eterna sorte de te saber por perto. Ah! coração... esses segundos de crença deixam-me transparente como bolha de sabão. Recebi uma recomendação hoje, já pela manhã, de um amigo especial. ENTRELINHAS ele me dizia para me proteger mais, me cobrir mais, me cuidar mais. Mas, você sempre me faz quebrar regras de segurança. O fato é que não poderia de deixar de te mostrar como o meu céu está hoje por você.
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Um trevo, um pássaro e um bilhete

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

É fácil ser pedra, quero ver é ser vidraça!

Nossa! Nossa! Nossa!

_ será que preciso comprar um espelho novo?
Será que as minhas minhocas mentais me fazem
assim, a réplica de um monstro?

Nossa! Nossa! Nossa!


[diz um preceito bíblico que é sempre bom tirar
antes de mais nada, o cisco do próprio olho]


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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Cinza

Hoje o dia está morno. Sabe morno? Mas no bom sentido. Aquele sentido que lembra um chá de anis, morninho, ou um banho morno, ou de bolo saindo do forno, que a gente espera dar uma esfriadinha, e prova asssim, morninho. Um dia de sensação meio branca, mas não bem branca, apenas clarinha, com nuances de cinza, cinza azulado, porque pra fazer o cinza, tem que ter o azul, sabia? Tenho que apurar meus olhos, e sentidos todos para apreciar os meio-termos. As calmarias. As não-notícias. O filme mais ou menos. A conversa que foi meio fiada. O final não surpreendente daquele livro. A reação não tão intensa. Os meios sorrisos. As eventuais faltas de assunto. Não existe exatamente o tédio. O que existe é o entre espaço. Intensidades ininterruptas geram estresse. Uma vigília permanente pela próxima emoção. Estado de esperar. Às vezes, não esperar nada pode ser bom. Saudável. Salutar. Está certo que ando controlando a ansiedade com umas gotinhas mágicas que o doutor me deu, calar as feras internas é trabalho árduo, mas tá legal assim, Não ando tendo tantos pesadelos à noite, e o sono tem vindo assim, como o dia, morno, apreciável ao toque, acolhedor como uma cama com almofadas fofas. Almofadas de florzinhas coloridas e fundo cinza, porque afinal o cinza também pode ser bem bonito, e o morno, pode ser bastante reconfortante. Um entre espaço até a próxima emoção, que virá em cores fortes, lilases intensos e temperaturas em alta. Oxalá!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A CENA


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O Sorriso de uma Estrela


Precisei esfregar os olhos para acreditar, mas juro que não foi delírio. Estava na janela ontem à noite para variar, quando, do nada, eu vi uma estrela cadente. Linda. Foi caindo de mansinho, branca e brilhante, emitiu um brilho verde e evaporou. Fiquei tão feliz, mas tão feliz, que quase esqueci de fazer um pedido. E nem sei se fiz direito um pedido, porque, na verdade, naquela hora eu queria mesmo era só agradecer, porque para mim, foi como um presente do céu, um sinal, um beijo de um anjo, um abraço do cosmos, uma carta de amor, um aval divino de que sendo simplesmente quem sou, sou amada e protegida. Suspirei, claro. Os pensamentos são tão velozes, as ideias se interligam e tantos desejos vêm a mente... Silenciei meio que na marra todas as vontades e apenas agradeci aquele momento especial. E todos os possíveis significados que aquela estrela tão linda trouxe para mim. Que seja tudo como Deus quiser!

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[Como dizia Clarice, vivo em estado de receber carta. Acabei recebendo uma estrela.]

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Mar.ia



Quando se leva o mar no próprio nome, justifica-se mais do que nunca essa paixão, não? Lembro-me da primeira vez que estive em frente ao mar. Fui no colo do meu pai, ele foi me soltando aos pouquinhos, o susto de ver aquela grandiosidade perante os meus olhos de criança pequena. Mas a atração foi tão maior, que após a segunda escapulida das ondas, já estava com os pezinhos buscando o contato. O mar entrou nos recônditos do meu ser e virou tradução de felicidade. Todos os meus sonhos passam-se perto dele. Toda calma que busco para meus dias, eu busco nele, mesmo que de longe, de olhos fechados. Noto nas pessoas que moram na praia, uma calma privilegiada, um olho mais doce, uma s u a v i d a d e . E a alegria tão mais presente. É algo assim que busco para os os dias da minha vida. Quanto às noites, já está tudo certo, depois que fecho os olhos, já sou dele. Sou a Maria do MAR.


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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

QUERIA ESTAR PERTO

D
O

M
A
R

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Quem nunca se sentiu assim?

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Creio que as pessoas são como valises - cheias de certas coisas, levadas daqui para lá, deixadas em qualquer canto, jogadas fora, abandonadas, perdidas e achadas, de repente, meio esvaziadas ou mais cheias do que nunca, até que finalmente o Último Carregador joga no último trem e lá se vão chacoalhando.

[Katherine Mansfield]

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Faz de Conta

São os dias de Outubro. Faz de conta que não estamos longe. Estamos perto. Em alguma praia mansa onde o sol nasce bem cedo, e no lusco fusco, ao entardecer, vai indo embora devagarzinho, deixando rastros de cores suaves, lilases, um rastro de estrelas que anunciam uma imensa lua cheia. Faz de conta que em dias de lua assim, a gente faz tudo ser especial. Ainda mais especial. Colhemos morangos na nossa horta, colocamos para gelar aquela bebida preferida, nos banhamos separadamente para nos acharmos mais tarde, na nossa varanda branca, da nossa casa de vidro, de frente à nossa praia dos sonhos. Faz de conta que você chega lindo, de branco, cabelos ainda molhados, e vai se embalando na nossa rede branca, imensa, mas onde só cabemos nós dois. Faz de conta que eu escolho aquele vestido levinho, de flores e tranparências, que você tanto gosta. E faz de conta que não uso nenhuma pintura no rosto, só o hálito de málvia fresca e o cheiro dos meus cabelos enfeitados por flores, flores que você colhe todos os dias para mim, no nosso jardim. Faz de conta que quando nos olhamos, na nossa varanda, da nossa casa de vidro, depois de tantas luas cheias juntos, ainda sentimos o coração bater em descompasso, e a pele estremecer naquele misto mágico de paixão e desejo. Faz de conta que sorrimos um para o outro e que ao ver, até a lua e suas milhares de estrelas sorriem junto, e suspiram encantadas. Faz de conta que juntos ficamos, ali, até o amanhecer, entre banhos de lua, de mar, de beijos, de amor, de encanto, de felicidade. Faz de conta que isso isso pode ser verdade, que sonhos se realizam, que você me ama e que o paraíso, pode ser assim. Depois, feche os olhos e faz de conta que ao amanhecer a gente volta pra dentro, deita no nosso quarto de cores suves, e dorme abraçado, com o som do mar vindo de fora, com as flores exalando perfumes de cor, e a gente sonhando com tudo de novo, numa ciranda infinita de amor.
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[CLAIR DE LUNE, claro!]

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

P e s a d e l o

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Para onde foi todo mundo? Que sensação horrível, sensação de que o trem partiu, de que cheguei com atraso à estação. Ainda é possível ouvir o som da locomotiva se afastando, ao longe, apertando bem os olhos, quase consigo ouvir as risadas das pessoas todas. Todas indo para algum lugar. Sensação familiar, essa: sentir-se só na estação. Sento-me ali, em algum dos tantos bancos vazios, e penso que nada adianta, nem choro, nem velas, nem mesmo fitas amarelas. Nem mesmo a meia dúzia de sorrisos e de gotas salgadas que me restam. Será que foi sempre assim? A inexoralidade das coisas... A palavra cruel me ocorre, mas não sei bem o porquê. Ou sei, são as sombras. Todos partiram, mas deixaram suas sombras por alguns longos minutos à mais, para cumprirem seus papéis de sombra. Não, não aquela que se combina com água fresca, mas aquela que é má, assombra. Com tantos sentimentos bons para dividir, por que dividimos o amargo? A dor, claro! As consequências da dor. A ausência das compreensões. Olhando melhor, vejo-me como sombra também, não estou na estação, não me movo. Sem me mover, acordo. Mais um sonho ruim... Digo olá à Vida, com olhar triste. Os fantasmas foram cruéis essa noite. Houve ranger de dentes. E ironia. Odeio mais que tudo na vida, a ironia. Deve ser a falta de talento para. O cheirinho de café me acalma, há luz do dia que reconforta, os espinhos dos lençóis se foram. Fecho os olhos de novo, mas sinto medo, há eco. Rezo. Peço que meus pecados sejam perdoados e que um anjo bom me socorra. E proteja. Faça-me ter bons olhos para poder ver as coisas boas. O dia, então, me abraça. Que ele seja carinhoso! Algo sopra em meus ouvidos, beija meu pescoço. Fecho os olhos. Durmo mais quinze minutos. Tudo está calmo, o dia pode começar. Que venha!

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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

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Olhe,
por último,
para as coisas
BELAS.



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Livros

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Deve ter sido um dia diferente, o dia em que o Homem resolveu colocar em linhas traçadas, os punhados de seus pensamentos. Eternizá-los no papel. Um dia infinito. Tornamo-nos eternos nesse dia, e passamos a dividir esse infinitivo estado de permanecer, junto com a Vida que é infinda. Dos mais requintados livros, até a matéria mais trivial que passa por nossos olhos, quando partem, já não somos iguais. Os escritos viabilizam nossa transformação continuada nos passos do dia. A leitura é uma paixão, desperta a paixão, concretiza a paixão. Ou seria um Amor?, já que é pura doação, entrega sem necessidade de retorno. Milésimo a milésimo, vejo minha existência se transformar de forma até agradável, muito, graças à companhia do melhor amigo, o Livro. Sou apaixonada por eles, os tenho espalhados por todos os quatro cantos por onde existo. São meus tesouros. Gosto de tocá-los, abrir páginas aleatórias, reviver momentos em releituras, vê-los ocupando os espaço que ocupo. E são tantos. E tantos virão... Um amigo, ou melhor, um amante fiel que se multiplica em mil facetas apaixonantes. Sou louca por eles, todos os que tive o prazer de desfrutar, e que tão amorosos, ao contrário de enciumarem-se uns dos outros, aquietam-se quando deixados, pois sábios, sabem que já ocuparam um lugar definitvo na janela que a alma concedeu à eles. Devo essa paixão à meu pai. Lembro-me dele chegando com livros e mais livros desde a infância. Não só para ele, mas para nós, ele dizia que se havia uma herança que queria nos deixar, seria conseguir despertar em nós o gosto pela leitura. Somos quatro irmãos. Em três de nós ele teve grande êxito, oque concede à meu pai um grande objetivo alcançado. Setenta e cinco por cento. Oque falta, nós tratamos de estimular, presenteando meu irmão menos afoito pelas letras, com livros e mais livros. Ele resiste, mas somos três contra um. Ou melhor, quatro, porque mamãe está nessa. E papai, lá do alto. O céu dele deve ter bons livros, festa e vinho. Porque além de ler, ele amava os encontros. E os vinhos. Já contei que ele fabricava vinho na chácara dele? (Para você eu contei, não foi, amor?) Nada industrial, claro. Com as uvas da chácara mesmo. Todos os amigos dele vinham para as etapas de fabricação. Colheita. Pisar as uvas. Temperar. Armazenar para fermentação. Engarrafar. Festejar. Em certas horas aquilo tudo parecia muito irreal, como a cena de um filme. Ou as páginas de um livro, onde as cenas são ainda mais nítidas. E pessoais. Não era para falar do meu pai, mas uma coisa puxa a outra, oque me faz pensar no que ele me ensinou, do que ele me doou de mais importante: Seu positivismo, quando ele dizia, frente à qualquer eventualidade, da maior a menor, a frase: _ Não esquente a cabeça! Em seguida, a pergunta: _ Como vamos resolver? Depois um sorriso e por fim, a certeza que ele nos passava de que tudo, sempre, acabaria bem. Ele foi o meu gigante. E de quebra, deixou-me o amor pelos livros. Agora, deixo aqui ,um trecho de um livro adorável que acabei de ler, que me fez muito feliz. História de uma terra mágica, a Sicília, de príncipe e plebéia, amor e dor, tudo junto, bem misturado, bem ao sabor do exotismo siciliano. Com votos de que apreciem esse pequeno trecho, deixo-os e sigo para as páginas da minha próxima paixão.

Do livro, Um Certo Verão na Sicília, parte II, Capítulo XV, página 156:

"A chuva se anuncia. Vai cair antes do pôr do sol. Leo virá se deitar comigo antes da chuva? Submeto-me ao vento, deixo-o brincar com meu corpo, enquanto o céu quase se transforma em noite e as cortinas se agitam com força. Ouço alguma coisa, alguém entra no quarto. Fico de joelhos, instintivamente, cobrindo meus seios nus com as mãos. Leo entra e anda lentamente em direção ao leito, em suas mãos, traz minha camisa. Ainda estou de joelhos, cobrindo os seios quando, sem abrir a cortina, Leo segura meu rosto em suas mãos e beija meus lábios através do fino tecido. Ainda sem abrir a cortina, gentilmente, tira minhas mãos de meus seios e coloca suas mãos no lugar. Me deita na cama, então. De joelhos, Leo afrouxa minhas calças de montaria e as deslizando para baixo, tira-as. Com firmeza, passa as mãos abertas sobre minhas pernas, moldando a carne com os dedos. Faz isso em todo o meu corpo. Leo é um escultor que vai modelar uma mulher a partir de uma menina. A luz reaparece, vermelha e dourada, o vento se torna violento e as pesadas bordas das cortinas batem com força no leito, como se fossem a saia rodopiante de uma dançarina. Enquanto voltamos ao palácio, compreendo que tudo oque aconteceu antes em minha vida foi uma preparação para essa tarde. Compreendo que tudo que está por vir será uma consequência dessa tarde. Compreendo que haverá alegria e haverá tristeza e que não estarei imune a nenhum desses sentimentos. Deito minha cabeça no ombro do príncipe."

[Fim do capítulo.]


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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Por Você!


... mas a outra que há em mim, aquela que tem todos os seus neurônios em forma de pequenos corações, aquela, que frente a mera menção do seu nome, fica sem ar, aquela que sai do rumo só pra seguir pipas pelo ar porque elas lembram você, essa, que não considera hipótese negativa alguma, essa que acredita no seu amor, e retribui, loucamente, ainda que em outra esfera, essa, meu querido, te vê de forma carinhosa, te espera sempre, e ignora todas as obviedades. Essa que sou eu também, é sonho, mas eu a prefiro. No mundo dessa outra de mim, você é verdadeiramente meu, e nossa história não tem fim. Essa, que eu gostaria de ser, ainda que tão mais louca e insana, dos atos que eu não suportaria carregar as consequências, te diria sem medo:
_ abro os meus olhos todos os dias, só por você!

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[Essa seria eu todos os dias, se você fosse como ela te vê.]




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sábado, 26 de setembro de 2009

Falta de vontade

Não é que eu não queira mais pensar em você. É que eu não posso. Não devo. Querer, poder, dever. O que esse verbos têm que se meter em histórias de Amor?... Em romances, paixões e afins, só deveríamos conjugar verbos como: permitir, conseguir, alcançar, transformar, verbos subjetivos positivos, para que combinassem com os verbos práticos do Amor, como: acarinhar, beijar, abraçar, tocar, desejar, dar, receber. E tudo no presente. E no futuro. Poderia até haver um novo tempo para o verbo amar: presente-do-futuro-garantido. Mas a verdade é que, não posso crer que cá estou, novamente, com esse blábláblá de amor e nostalgia. Perdão, mas é vício já. Todo santo dia , no final de cada dia, bem no fim do dia, eu prometo a mim mesma ultrapassar esse assunto, e pensar em outras coisas, entre tantas que a existência nos oferece, mas eu não consigo. Não consigo, assim, conjugado no presente-do-futuro-garantido. Que Deus me Ajude!


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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Já que é PRIMAVERA ...

O-BEIJO-PÉTALAS-DE-ROSA

Foi o beijo que Roseannette deu em Frédéric.
Ela segurava um pétala de rosa com seus dentes
dianteiros,
convidando Frédéric à mordiscá-la,
um aperitivo antes de seus lábios.

S
E
D
U
Ç
A
O


[ do livro, Education Sentimentale, de Flaubert]


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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Nesses dias de céu lilás



[ Gosto que gosto quando vens me ver... ]

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domingo, 20 de setembro de 2009

O noivado mais curto do mundo

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Foi à alguns anos . Fomos convidados para um casamento diferente. Árabe. Amigos de papai iam casar a filha numa cerimônia típica. Em virtude do trabalho de meu pai, moramos em muitos lugares. Num deles, convivemos com alguns árabes, entre eles, esses que iam casar a filha, na cidade que agora residíamos. Foi com grande prazer que nos trouxeram o convite do casamento . Nos contaram que não haveriam muitos convidados fora da colônia deles, mas que faziam questão da nossa presença. Fícamos animadíssimos. Quer dizer, eu e minha mãe. Papai ficou em dúvida, nunca gostara de grandes cerimônias. Quer dizer, gostava sim. O que estava pegando é que seríamos quase que os únicos convidados de fora, e além de que, eles não serviam bebidas alcóolicas. _ Como pode isso?... uma festa sem um bom vinho? Era o argumento do meu pai, que no entanto, se rendeu a vontade das suas meninas. E fomos. E ficamos pasmos. Parecia mesmo que adentrávamos em um conto das mil e uma noites. Dentro do salão de festas, armaram imensas tendas com tecidos de mil cores, e bolas iluminadas e muitas, muitas flores. Haviam mesas de doces, babilônicas e tentadoras pelos quatro cantos do salão, e uma música entorpecedora e quente que nos hipnotizava. Os convidados pareciam personagens, falando uma língua estranha, que cantava alegria aos nossos ouvidos. A cerimônia foi linda. O pai da noiva trazia a noiva até o centro do salão, entoando canções e poesias de boa sorte e amor que não deveria acabar nunca. O mesmo fazia o pai do noivo. No centro do salão, casaram-se sob uma chuva de pétalas de rosas que não cessava. Uma atmosfera de amor muito especial envolvia a todos. Ninguém chorava de emoção, apenas sorriam. Quando oficializou-se o casamento, abriram-se cortinas imensas que revelaram uma banda de música típica, vinda especialmente das Arábias para alegrar a festa. O jantar foi um banquete, e papai até esquecera de resmungar por não ter seu vinho santo à disposição. Após os doces, iniciou-se o que parecia ser um baile. Muito diferente. As mulheres, que ricamente vestidas e enfeitadas estavam, permaneciam nas mesas, e para o centro do salão iam os homems, que formavam um grande caracol de homens lindos, vibrantes, que dançavam e gritavam votos de felicidades aos noivos. O porque as mulheres não dançavam, eu não sei, mas não pareciam infelizes por verem seus homens exibindo-se com graça. Dona Nagiba, a amiga de meus pais veio até a nossa mesa em certa hora, e também seus filhos e tantas pessoas, e contou-nos que as mulheres dessa raça, em dias de festa, vestiam todos os seus ouros. Na visão deles, quanto mais jóias estivessem exibindo, mais sinal de estima mostravam ter de seus entes queridos por elas. Excentricidades apaixonantes. Apaixonantes momentos. Foi nessa hora que eu notei. Que eu o notei. Um moço lindo. Perdi os sentidos quase, quando vi aquele moço de beleza inacreditável me olhando. E sorrindo! Posso lembrar de cada detalhe dele naquele dia. Lindo, de tez morena, cabelos e olhos escuríssimos, uma barba magnifcamente bem feita, magro e elegante no seu terno escuro, que para mim parecia claro. Algo muito conhecido no apertar de seus olhos me chamava a olhar para ele também. Não pude deixar de notar ainda, que não era só ele que olhava para mim, mas, discretamente, também as pessoas da mesa dele estavam olhando para nós. E falavam. E olhavam. E falavam. Puxei minha mãe, e comentei, e ela sorriu para eles. _ Ficou doida mãe?... mas ela sempre ri de tudo e para todos, a doida. Estava nervosa, acho que nunca tinha sido observada por olhos tão insistentes, envolventes e determinados. Ele sorria com os olhos, assim, um pouco apertados, o que me deixava até tonta. Claro! Em dado momento, peguei minha mãe e a arrastei para o banheiro, precisava falar, perguntar o que eu devia fazer. Entramos no toilette, que estava todo enfeitado como uma tenda também, quando notamos a entrada de duas mulheres. Eram pessoas da mesa dele. Fiquei gelada e entrei no reservado. A belíssima senhora puxou então conversa com mamãe, dizendo sem mais rodeios que seu filho Kasan (ele) havia gostado muito de mim, e que a família estava interessada em tratar um possível casamento. Isso mesmo, casamento. Mamãe quase caiu para trás. Saí do reservado e a outra mulher, no caso, irmã dele, se aproximou de mim, e cochichou bem baixinho que seu irmão, Kasan, estava naquele momento falando com papai, junto com o pai deles. Nessa hora ouvimos a linda senhora falar um sonoro _ óh, não!!! mas que pena. Pediu desculpas à mamãe e saiu com sua filha. Minha mãe nem precisou me falar do que se tratava. Eles pensaram que éramos da mesma colônia que eles, de alguma outra cidade, por isso, estranhos. Não nos imaginaram ocidentais. E a casa caiu. Quando voltamos ao salão, papai já nos agurdava, muito ofendido, pronto para irmos embora. A família do moço lindo já havia se retirado, como num passe de mágica. Ficamos, os três, desolados com algo tão descabido aos nossos olhos. Dona Nagiba e sua família nos acompanharam até o carro, entre muitos pedidos de desculpas e explicações. Mamãe, grande alcoviteira, ainda tentou arrancar da amiga algum dado do moço, acho que ela fantasiou mais que eu naquela hora, mas tudo que conseguiu saber foi que, se nós fôssemos árabes, naquele momento, poderia-se estar acertando um noivado. Ela sentiu muitíssimo, nossa amiga Nagiba . Voltei para casa e sonhei com toda aquela extravagância. E com aquele moço tão lindo que quase se tornara meu noivo, não fossem nossas diferenças. Culturais. E religiosas. E raciais. _ Oras! , e a paixão que vimos nos olhos um do outro, o que a gente fazia com aquilo? Passaram-se dois dias quando chegou em casa, um pequeno ramalhete de delicadas flores lilases. Junto, um cartão delicado que dizia em elegantes linhas traçadas: "Se eu pudesse, tomaria você para mim. Perdoe-me! Nunca esquecerei você." O impacto daquelas palavras ressoa até hoje em meus intervalos de cotidiano. Isso aconteceu à alguns anos, que eu supus ter colocado fim a qualquer ligação entre nós . Dias desses, no entanto, comentei aqui, recebi flores. Um pequeno ramalhete de flores lilases, com um cartão que dizia apenas: " Para mim, você é única". Pois é, as mesmas flores, a mesma caligrafia elegante, o mesmo perfume abstrato de Kasan. Não estava assinado, assim como o outro não estava, mas existem coisas que a gente sabe. E só. Nunca mais nos vimos, não sei nada de nada dele. Oque ficou entre nós foi essa eterna impossibilidade romântica. Não entendo porque ele deu sinal, mas suas flores fizeram-me sentir dentro de um conto. Um conto de amor impossível, e talvez por isso, inabalável. Acho bonita essa história, por isso resolvi contá-la aqui. Quem sabe um dia, conto algo mais.



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sábado, 19 de setembro de 2009

Adoro, Freud!


É escusado
sonhar que se bebe;
quando a sede
aperta, é preciso
acordar para beber.

FREUD

[o que tem a ver a imagem com a frase?
_ cada um tem a sede que merece!]

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

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E SE NÃO É,
TINHA TUDO PRA TER SIDO.
E SE TINHA TUDO PRA TER SIDO,
ENTÃO, FICA SENDO.


[do filme, Narradores de Javé]

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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Baunilha


Adoro janelas. Abertas. Gosto do vai e vem das cortinas leves levadas pelo ritmo do vento. Elas dançam com o vento. Senhor misterioso. Se fechar bem os olhos e alguma quietude interna houver, pode-se ouvir além de sons, cenas. Proporções desiguais e inevitáveis de alegria e tristezas ecoam, mas a gente pode escolher o que sentir. Pode escolher inclusive o silêncio, outro senhor soberano. Reconhecer o silêncio é reconhecer o mistério, e o mistério, às vezes, é bom. Assim como a ilusão, o painel deslizante do mágico de cada dia. O nosso acréscimo de beleza. A ilusão. Lugar onde o sagrado e o profano estão estreitamente ligados. E onde os sonhos podem ser simples: um emaranhado colorido de gentes, amores, e alguns sabores. Aromas que o senhor vento também trás para perto. O de hoje é baunilha. Doce e apaziguador. Amansa o coração e alivia a dor. E as janelas ficam assim, até tarde, abertas para o AMOR.

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